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Um dia de Fórum Mundial de Direitos Humanos do Cerrado

Conferência pensa em estratégias de enfrentamento às violações de Direitos Humanos geradas pelo sistema capitalista em Goiás

Por Palloma Lopes

 fórum

 Grupo cantou músicas de cultura afro-brasileira na abertura do Fórum. Fonte: Palloma Lopes

 

 

No dia 23 de novembro de 2013 foi realizado o FMDHC, Fórum Mundial de Direitos Humanos do Cerrado.  Várias entidades comporam o comitê organizador, como a CAJU – Casa da Juventude, Comitê pelo Fim da Violência Policial e Assessoria de Diversidade Sexual.

O FMDHC é um espaço de debate e reflexão sobre caminhos para promover os Direitos Humanos em Goiás, e, também tem o objetivo de mobilizar entidades e pessoas para participarem do Fórum Mundial de Direitos Humanos, FMDH, que vai ocorrer em Brasília, entre os dias 10 e 13 dezembro de 2013.

O tema da conferência de abertura do FMDHC foi O modelo econômico capitalista e as violações de Direitos Humanos em Goiás. O professor da Universidade Federal de Goiás, UFG, Davi Maciel, compôs a mesa de abertura e em sua fala afirmou que os maiores violadores dos Direitos Humanos são o Estado e o Capital.

“O capitalismo quer eliminar direitos que impeçam a livre circulação do capital e crescimento de lucros”, disse o professor. Uma violência que é institucionalizada pelo Estado, e sobre isso falou a militante Heronilde Nascimento, que faz parte do Comitê pelo Fim da Violência Policial e era uma das moradora da ocupação do setor Parque Oeste, que em fevereiro de 2005 foi desocupado violentamente pela polícia de Goiás.

O dia da desocupação dos moradores do Parque Oeste foi um dia em que mais de dois mil policiais gritaram que iriam beber o sangue e derrubar as casas das pessoas. O Comitê pelo Fim da Violência Policial foi criado em 2006. “Nós decidimos chorar juntos”, disse Heronilde. E lutar juntos também.

As histórias das pessoas que compõe o comitê são chocantes. Como a de uma mãe que deu entrevistas sobre o filho executado pela polícia e a noite recebeu visitas de policiais ameaçando matar o outro filho se ela não ficasse em silêncio. Heronilde denuncia o preconceito que algumas pessoas têm contra o comitê.

Segundo ela, a classe média alta que teve filhos executados pela polícia resiste em participar da entidade. “Para essas pessoas, nossos filhos eram bandidos e os delas não”, explica Heronilde.

A militante, que afirma que “nossos mortos tem voz”, mora no residencial Real Conquista - bairro que as famílias desalojadas do Parque Oeste foram morar – e realiza com as crianças oficinas de vídeo popular sobre o que ocorreu no Parque Oeste Industrial. Heronilde tenta manter viva a memória que o Estado investe em apagar.

 

Um mundo melhor

Na conferência, estava claro que o capitalismo gera violências, destrói seres humanos e natureza. O debate estava para além disso. A professora aposentada da UFG, Ana Lúcia, que hoje coordena o Centro Cultural Eldorado dos Carajás, retomou a importância de se pensar em outro mundo possível.

“Precisamos pensar que tipo de sociedade queremos e o que vamos fazer para conquistá-la”, disse Ana Lúcia. Nenhum participante do fórum parecia duvidar da possibilidade de um mundo melhor.

Ocorreram várias rodas de conversa no FMDHC, entre elas as Travestis e as Relações no Mercado de Trabalho. Organizada pela Assessoria de Diversidade Sexual. A roda debateu a situação de preconceito em que vivem as travestis na sociedade. Preconceito que as empurram para a prostituição como única forma de sobrevivência.

As travestis não estavam presentes na roda de conversa. Segundo Adriano Ferreto, que trabalha na Assessoria, enquanto conversávamos sobre a vida dessas mulheres, às duas horas da tarde, as travestis estavam se preparando para fazer programas.

O preconceito transforma as travestis em seres noturnos, que fogem da exposição da imagem durante o dia, e de pessoas cutucam o outro ao lado quando as veem. Elas, quando muito, são aceitas como call centers, por não envolver a imagem na hora de atender ao cliente.

Em cada roda de conversa do FMDHC eram decididas propostas para enfrentar a violação dos Direitos Humanos. Na roda sobre o preconceito contra as travestis, decidiu-se por estratégias que busquem empoderar e dar visibilidade para essas mulheres de Goiás, como escrever um livro com as histórias de vida de cada uma.

 

 

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Reportagem de telejornal sobre prostituição como única possibilidade de trabalho para travestis

Documentário Sonho Real - Uma história de luta por moradia

 

 

 

 

 

 

Fonte : Facomb

Categorias : Cidadania

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