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Xenofobia

Preconceito contra estrangeiros volta a ser praticado com intensidade

Atualmente, as manifestações de xenofobismo se tornaram mais frequentes, em especial depois dos atentados durante a Maratona de Boston, no começo do ano, nos Estados Unidos. Desde os atentados ao World Trade Center, em 11 de setembro, também nos Estados Unidos, os americanos já demonstravam um sentimento de aversão aos estrangeiros, em especial os que vinham do Oriente Médio.

Outro exemplo bastante forte foi o crime cometido em Londres por Michael Adebolajo, de 28 anos, que matou o soldado britânico Lee Rigby, de 25 anos, em nome do Islã. Isso gerou um impacto na visão dos europeus sobre os muçulmanos. Além disso, segundo alguns analistas, as crise de identidade, economia em queda e desemprego em muitos países europeus nutrem essa nova onda de xenofobia e nacionalismo na Europa.

 

Explicação

 

Segundo o Professor de Relações Internacionais no curso de Direito da UFG, Rabah Belaidi, a xenofobia pode ser definida como hostilidade contra as pessoas estrangeiras e tudo que for estrangeiro, mas o conceito pode ser alargado a hostilidades motivadas por ser de cultura, religião, gênero ou ideologias diferentes.

“A diferença entre a xenofobia e o racismo é sutil, pois o racismo introduz a ideia de raças superiores a outras. Na prática percebe-se frequentemente, mas não exclusivamente, daquele que pratica a xenofobia, um fundo de racismo. Ou seja, as duas noções apresentam um encaixamento e uma articulação nem sempre claro ou evidente”, afirma.

Belaidi ainda explica que os maiores alvos de xenofobia são tipicamente os estrangeiros pobres, dependendo dos países em pauta. “Por exemplo hoje em dia na Europa os grupos étnicos mais alvos de xenofobia são as populações africanas negras, os árabes e de forma geral os muçulmanos”, expõe.

Sobre o Brasil, Belaidi afirma que a essência da composição da sociedade brasileira reside na miscigenação. Ele explica que nosso país tem provavelmente o povo mais misturado da terra e que a força da sociedade brasileira é de não perder tempo em achar bodes expiatórios para xenofobismo e de enfrentar um presente de forma dinâmica e responsável.

Ainda de acordo com o professor, a constituição brasileira no seu preâmbulo traz a questão da igualdade como valor supremo de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos. No artigo quatro da constituição nota-se o repúdio ao racismo, mas o artigo cinco trata de forma extensa e importante da questão da igualdade tanto de brasileiro como de estrangeiros residentes no Brasil.

 

Proximidade

 

As atitudes xenofóbicas também atingem nosso meio estudantil. O aluno de Jornalismo do quinto período Murilo Nascente, afirma ter sido vítima de xenofobia durante uma viagem que fez recentemente aos EUA.

“Não tinha medo porque estava indo para um lugar extramente turistico e com a presença muito forte de hispanicos. Na Flórida grande parte da população é cubana ou de países vizinhos. Mas passei por uma situação que considero xenofobia. Encontrei uma carteira perdida no estacionamento, uma amiga americana tomou a carteira da minha mão e falou pra mim: ‘Larga essa carteira, seu brasileiro ladrão’.”, relata.

Nascente ainda completa afirmando que não acha que xenofobia tenha cura, porque preconceito é algo enraizado nas pessoas, e que de vez em quando elas deixam esse sentimento transparecer.

A estudante de Jornalismo, Giuliane Alves, também do quinto período, foi aceita como intercambista na Faculdade do Caribe, em Cancún. Apesar das atrativas belezas do local, a estudante afirma que tem receio.

“Tenho medo porque pelo menos o que eu escuto falar de brasileiras que vão para o exterior é que elas são bastante assediadas. Além da visão estereotipada que existe das brasileiras, acho que isso pode causar algum bloqueio ao conhecer alguém de lá. Conheço relatos de outra intercambista que também foi para Cancún; ela me disse que foi bastante assediada e que as pessoas a olhavam diferente por se brasileira”, diz.

Alves ainda acredita que xenofobia tem cura, mediante um trabalho psicológico bem aplicado. Apesar dos receios, ela afirma nunca ter sofrido xenofobia.

Fonte : FIC

Categorias : Política

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