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Beleza põe mesa?

Academias e salões de beleza estão cada dia mais abarrotados de pessoas em busca da suposta felicidade que um corpo magro e esguio pode trazer 

Por: Hannah Mota

Desde os primórdios da humanidade, os padrões estéticos existem. Houve um tempo em que a mulher acima do peso era considerada uma referência de beleza, ao contrário dos dias atuais, onde o corpo magro é desejado pela maioria das mulheres. É sabido que a aparência física é de suma importância para o bem estar e para a autoestima de cada qual. Entretanto, até onde vão os limites da busca pela beleza? E por que não praticar a auto aceitação, ao invés de buscar atingir padrões inatingíveis?

Academias e salões de beleza estão cada vez mais lotados, em prol de objetivos que vão muito além de cuidar da saúde ou cuidar da aparência. As metas de grande parte dessas pessoas é atingir o padrão do abdômen sem gorduras e totalmente definido, chamado hoje de barriga negativa, além do corpo musculoso, cabelos femininos grandes e lisos. As pessoas não se permitem mais viver dentro de uma normalidade, comer com prazer e fazer excessos de vez em quando.

A busca pela boa aparência é uma realidade entre homens e mulheres das mais diversas classes sociais e faixas etárias. A maquiadora e profissional de estética Dhallen Christinne Canêdo, que atualmente trabalha no salão Su Beauty Noivas, um dos mais renomados da capital goiana, mostra o outro lado da moeda ao dizer “(...) eu amo minha profissão, pois os resultados são imediatos e é muito gratificante trabalhar com o ego das pessoas quando os resultados são positivos, entretanto, existe sim uma busca exagerada pelos padrões. Mas não é difícil trabalhar com padrões, difícil é trabalhar com personalidade”.

Dhallen conta que, na maioria das vezes, as clientes chegam com uma ideia pronta e, se o resultado fica diferente do que elas imaginavam, diferente da “modelo da revista”, a frustração é inevitável. “Eu sempre aviso antes que sou maquiadora, mas não tenho o poder de transformar as pessoas. Eu busco incentivar os meus clientes a gostarem de si mesmos, e pensar em uma beleza construída a partir do seu próprio corpo. Eu até acho positivo as pessoas terem referências, mas, nos dias atuais, tais referências têm se transformado em obsessão”, ressalta a maquiadora, contextualizando com o dia a dia de sua profissão.

Uma das clientes de Dhallen, Mildriane Fagundes, afirma que vai ao salão de beleza constantemente em busca de se sentir bem, que não se considera obcecada por estética, mas não consegue ficar mais de uma semana sem ir ao salão. “Eu tenho a necessidade de me sentir bonita, de me sentir bem. Não acho que seja o mais importante na vida, mas aparência é uma das coisas fundamentais para o bem estar do ser humano. Eu preciso estar com as unhas feitas, com o cabelo arrumado, com as sobrancelhas tiradas, e com uma maquiagem profissional, sempre que vou a uma festa. Não consigo e nem quero diminuir minha vaidade.”, ressalta Mildriane com veemência.

A insatisfação consigo mesmo demonstra a falta de autoestima, principalmente com a imagem corporal. O fato da pessoa não se ver bonita é mais mental do que real”, afirma o Dr. José Rui Bianchi, médico psiquiatra e Autor do livro "Emagrecer também é Marketing". Diante disso, torna-se clara a necessidade de incentivar a auto aceitação e a autoestima através da valorização das diversidades, da apreciação da beleza não estereotipada. É necessário que a humanidade entenda que a verdadeira beleza está justamente na unicidade de cada ser humano, e não na maquiagem e nos padrões escancarados por uma capa de revista cruel e ditatorial. 

 

Categorias : Saúde

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