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À moda brasileira

Prisão de mensaleiros no feriado mostra que ainda há muito que se fazer, mas que muito já se fez.

Por Gabriel Trindade

Depois de muito tempo. Muita deliberação. Finalmente... Justiça. O estranho é pensar que apesar da demora a Justiça acabou vindo a galope e no feriado da Proclamação da República. A surpresa da prisão imediata dos envolvidos no escândalo do Mensalão em pleno feriadão de sexta-feira (15) pela Polícia Federal, com certeza tomou todos de surpresa. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) veio mostrar que ainda há muito que se fazer, mas que muito já se fez. Talvez a resposta dos ministros tenha sido uma reação aos recentes gritos das ruas.

O escândalo estourou em 2005. Na época um vídeo mostrava o ex-funcionário dos Correios Maurício Marinho, ligado ao ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), negociando propina com empresas interessadas em participar de uma licitação do governo. O baque veio quando o próprio Roberto Jefferson denunciou o esquema de pagamento de uma “mesada” – daí veio o famoso nome do escândalo – no valor de R$ 30 mil pagos pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para parlamentares aliados votarem a favor de projetos do governo [leia-se governo Lula]. Na época, José Dirceu como Ministro da Casa Civil renunciou como acusado de comandar o esquema.

Agora em 2013, podemos ver o resumo da ópera. De 37 réus, 25 foram condenados. Destaques ficam para as figuras mais emblemáticas que faziam parte do núcleo operacional do esquema como Marcos Valério, e político como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o ex-presidente do PT José Genoino. Levando em conta todas as condenações, os acusados passearam pelo Código Penal e pela lei nº 7492/1986. Segundo o STF, eles praticaram corrupção ativa [oferecer vantagem indevida a funcionário público], evasão de divisas [praticar operação de câmbio não autorizada com objetivo de tirar dinheiro do país], formação de quadrilha [associação de mais de três pessoas com a finalidade de cometer crimes], lavagem de dinheiro [ocultar a origem de dinheiro] e peculato [desvio de recursos públicos para beneficiar a si mesmo ou a outras pessoas]. Dirceu, Delúbio e Genoino vão ter que cumprir entre seis a dez anos de prisão, já Marcos Valério foi condenado a 40 anos de prisão.

Inicialmente em regime fechado e agora semi-aberto, Dirceu, Delúbio e Genoino continuam dentro do complexo da Papuda em Brasília, mas no Centro de Internamento e Reeducação (CIR). Apesar de quase parecer uma colônia de férias permitindo acesso ao pátio das 09h às 16h, o fato de cumprirem penas e passarem por uma condenação não apenas penal, mas também social ainda nos dá esperança que a Justiça possa vir a galope mais rapidamente e não à moda brasileira.

Fonte : FIC

Categorias : Opinião

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