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Sangue Compartilhado

Apesar das extensas campanhas, alguma parte da população ainda é resistente à doação de sangue. Diretor o Hemocentro tranquiliza e explica o processo

 

Por Murillo Soares

Já parou para pensar que o mesmo que sangue que corre em suas veias pode passar a correr nas veias de outro? É esse o pensamento que os centros de doação de sangue tentam passar. Embora o ser humano bombeie cerca de cinco litros de sangue, segundo os médicos, ele pode doar em torno de 400 ml para os centros de coleta, que encaminham o sangue para os hospitais que necessitam.

Tudo dura, no máximo, quarenta minutos. Desde quando a pessoa se cadastra na recepção, passa pela triagem, a coleta e o lanche ao qual tem direito depois da doação”, explica Hamilton Teles, diretor do Hemocentro de Goiânia. Segundo ele, o processo é bem simples e sem muita burocracia. O doador faz seu cadastro e depois passa por uma triagem, onde são medidos pressão arterial, peso e altura, além do hematócrito, que acusa se o doador tem ou não anemia. Em seguida, são feitas uma série de perguntas a ele, como sobre histórico de doenças na família, se já teve algum tipo de infecção recentemente ou se tem uma vida sexual promíscua. Então, faz-se a coleta do sangue e, depois, doador vai à lanchonete.

 

Medo

Nem todos se sentem confortáveis o suficiente para passar por esse processo. Muitos são aqueles que têm medo de doar sangue, por várias razões. É o caso da estudante de Psicologia Hellen Qualto, 22. “Sinto vontade de desmaiar, quando tem alguém sangrando perto de mim, por menor que seja o machucado. Imagina se eu for doar sangue?”, diz.

Segundo Hellen, seu medo não tem uma definição específica, mas ela explica que pode ser uma experiência que viveu quando mais jovem. “Isso acontece com frequência e estudamos muitos exemplos assim no meu curso”, lembra. Tudo que ela se lembra é de ir fazer um exame de sangue quando mais jovem e sentir um mal estar.

Além do medo, muitos têm receio de doar, porque também é o caminho que ele percorre desde o doador até o receptor. Na sociedade, circulam lendas de que o sangue pode acabar em um terreno qualquer ou ainda que o Hemocentro chega a vender as bolsas, que são colhidas de forma voluntária, não remunerada. Entretanto, Hamilton afirma que nada disso acontece.

O sangue é colhido. Então, ele passa por uma sorologia, para detectar certas doenças infecto-contagiosas, como sífilis, hepatite e Chagas. Depois, ele passa por um fracionamento, para separar seus hemocomponentes, então o sangue vai para o estoque e para pequenos postos em alguns hospitais”, explica. O que acontece, segundo ele, é que alguns sangues não podem ser recebidos, pois pode ser encontrada alguma doença ou infecção passível de transmissão. Apesar da triagem e da entrevista feita com o doador. “Quando isso acontece, a bolsa de sangue é descartada em lixo hospitalar, mas somente quando ela não pode ser utilizada em hipótese alguma”, esclarece Hamilton.

 

Incentivo

Mas, para algumas pessoas, o que falta mesmo é incentivo. Essa é a opinião da estudante de Ciências Ambientais, Gabriella Garcia, 19, que, assim como Hellen, tem problema com agulhas. No entanto, segundo ela, doar sangue já é quase um negócio de família. “Na minha família quase todos doam, até por que o sangue de quase todos é O negativo e, por ser doador universal, é um dos que mais faltam no banco. Então eu só os segui, na verdade, apesar de sentir um certo desconforto com agulhas”, diz.

Ela explica que o que falta nas pessoas para que elas comecem a doar, apesar dos medos, é incentivo nem tanto dos grandes bancos de sangue, como o Hemocentro de Goiânia, mas das pessoas em si. “Muitos amigos meus sempre quiseram doar e sabem o que fazer, mas nunca haviam doado por que não tinham sido "animados" para isso, mas depois que eu e uma amiga começamos a doar, eles se sentiram mais empolgados com a sitação e seguiram nosso exemplo”, conta. Além disso, ela ainda reforça que o banco de sangue vazio é um problema de todos nós, porque nunca se sabe quando iremos precisar.

Fonte : Fic

Categorias : Saúde

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