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Goiânia: a cidade da imobilidade urbana

Projeção indica que número de carros vai igualar ao de pessoas na capital do Estado

Por Giuliane Nascimento

Só no começo deste ano, mais de 18 mil carros novos passaram a circular em Goiânia. Isso representa uma média de 6 mil carros por mês, o que equivale a oito veículos zero saindo das concessionárias a cada hora. Os dados foram informados pelo Departamento Estadual de Trânsito de Goiás, o Detran-GO, e comprovam que o goianiense ainda prefere optar pelo carro, mesmo com os altos custos de manutenção.

Em julho, o total de veículos registrados na Capital ultrapassou a marca de 1 milhão, que, somados aos demais municípios da região metropolitana, superam a marca de 1,3 milhão de veículos automotores registrados. A cidade abriga mais de 77% dos veículos regularizados e a expectativa é que este número cresça.

De acordo com especialistas nas questões de trânsito, três pontos motivam a venda desses automóveis: a redução de impostos do Governo Federal como forma de incentivo à compra para aquecer a indústria, a precária situação do transporte coletivo e a facilidade na compra. Com as recorrentes reduções do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), tanto a produção quanto a aquisição e venda de veículos novos foram fomentadas pelo Governo.

Atualmente, com apenas 10% de entrada e 60 parcelas, o consumidor pode levar para casa um carro novo. Os juros mais baixos e a redução do IPI até o fim do ano chegam a equivaler um desconto de 2 mil reais, além de outros benefícios que as concessionárias oferecem aos interessados. “Brinde surpresa, bônus da montadora, tudo isso contribui para aumentar o comércio”, conta Romildo Rocha, gerente de vendas de uma concessionária da Capital.

E foi por estas razões que a estudante de Farmácia Lettícia Rodrigues resolveu juntar as economias e comprar o próprio automóvel. “Inicialmente, eu dependia do transporte coletivo, mas o descaso das autoridades com os ônibus me motivou a pesquisar os preços de um carro acessível para mim. A ideia era comprar um usado, mas a oferta por parte das concessionárias me fez repensar e acabei optando por um veículo novo”, afirma.

Saída

Contudo, embora a aquisição solucione alguns problemas, ela também gera outros. Segundo o superintendente de Desenvolvimento Urbano e Trânsito da Secretaria de Cidades, Antenor Ribeiro, com o aumento da frota metropolitana, o trânsito de Goiânia caminha para um quadro insustentável e deve chegar a uma condição de impossibilidade de deslocamento em menos de dez anos.

O urbanista vê como saída para a problemática a vontade política de qualificar os veículos da Rede Metropolitana de Transporte Coletivo e de ampliar o sistema de ciclovias, previsto pelo Plano Diretor de Governo. “Em uma capital que se julga moderna e sustentável, não se pode pensar no veículo automotor como prioridade. A opção mais racional para qualquer cidade no mundo é priorizar os sistemas públicos de transporte. Isso significa pensar a cidade para as pessoas, não para os carros”, afirma.

Mas ações como rodízio de automóveis, cobrança de pedágio e preço mais alto para estacionar em locais saturados, como o Setor Central e Campinas, além de carona e bicicleta também são vistos como opções. “Temos que fazer uma política de médio e longo prazo de incentivo ao transporte público, já que o aumento da frota e os pontos de estrangulamento são tendências evidentes”, afirma Antenor.

Tendência

A mobilidade urbana é historicamente um dos principais desafios da administração pública brasileira. Na Capital, se levarmos em conta o aumento do número de novos veículos, Goiânia pode mais que dobrar a frota em 2020, chegando a quase 1,7 milhão de veículos. Se o crescimento apresentado pelo Detran se mantiver, em 2015 a quantidade de carros se igualará ao número de habitantes que vivem na Capital hoje. Ou seja, 1,245 milhão de automóveis nas ruas.

Os dados inquietam os motoristas. Para a professora Ana Cristina Cavalcanti, a situação do trânsito em Goiânia já é preocupante. “Hoje a gente já consegue se estressar fácil nas ruas da cidade. Horário de pico é congestionamento na certa. Voltamos até mal para a casa. Esse trânsito nos envelhece. Se a situação piorar, vou ter que buscar outro meio de transporte”, conta a motorista.

Atualmente, a região metropolitana de Goiânia, com uma população de aproximadamente 1,3 milhão de habitantes, possui uma das maiores frotas do País. A média é de quase um veículo por pessoa. Os números deixam a Capital entre as cidades brasileiras com a maior quantidade proporcional de veículos.

 

Fonte : FIC

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