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teatro

Vida de ator

Fora da magia dos palcos, o cotidiano não é tão glamuroso, mas o resultado é gratificante

Por Caroline Guimarães

 

A rotina do ator Sharles Gomes é bastante movimentada, cheia de viagens, peças, criações e ensaios. Ele faz teatro há dez anos e há cinco é profissional. Trabalha em uma companhia chamada Arte e Fogo, que apresenta espetáculos várias vezes ao ano, além de fazer parte do grupo de atores do Centro Cultural Gustav Ritter. Para ele, apesar de reconhecer que a profissão não é valorizada como deveria, não se vê fazendo outra coisa. “O teatro para mim é conhecimento. Trabalho muito, mas é um prazer poder fazer o que eu gosto”, conta Sharles.

Para o professor de teatro do Centro Cultural Gustav Ritter, Edson Fernandes, a sociedade tem impregnado esse conceito de que o teatro é desvalorizado, principalmente na nossa região. Mas o que, de fato, ocorre é um desconhecimento de algumas pessoas sobre essa arte e e a falta de interesse em prestigiá-la. “O problema também é que muitos de nós, incluisve artistas, tratam o teatro como lazer. Mas é uma profissão como qualquer outra, que deve ser respeitada”, afirma o professor.

Aline Mattarazo conheceu o teatro na igreja e se encantou logo de cara. Depois começou a fazer aulas no Centro Cultural Gustav Ritter, onde está há dois anos. “Já participei de vários espetáculos e a cada dia cresço mais. Faço faculdade de Direito, mas não deixo de olhar o teatro como uma profissão também. Quero conciliar as duas coisas”, afirma Aline. Leonardo Costa começou a fazer curso de teatro recentemente e também pretende levar mais a sério. “Não posso sair do meu emprego, porque ainda não consigo viver da arte. Mas estou cada dia mais envolvido com as atividades teatrais. Me identifiquei demais”, conta.

Muitas pessoas acabam tendo o primeiro contato com o teatro ainda na infância e adolescência, influenciadas pela escola. O professor Edson explica que, para as crianças, o teatro ajuda no seu desenvolvimento e formação, despertando o desejo pelo conhecimento e por isso que ele deve ser um complemento na educação básica de todo o jovem. “Auxilia trazendo a informação e entretenimento de uma forma mais prazerosa e divertida”, completa Edson.

Em novembro, a companhia de teatro do Gustav Ritter vai apresentar a peça “Lições de Anonimato”, que aborda justamente o preconceito que algumas pessoas têm com a profissão do ator. A história mostra as dificuldades que muitos enfrentam em suas casas, sem a aceitação da família, a falta de incentivo dos órgãos públicos e o desconhecimento de muitas pessoas, o que gera conclusões equivocadas sobre o trabalho do artista. O texto é de Hugo Zorzetti, produção de Edson Fernades e direção de Ilson Araújo.

“O texto de Zorzetti realmente diz respeito à realidade, mas a população não é tão alienada atualmente. O preconceito sempre existirá, mas depende de cada um enfrentar”, afirma Edson Fernandes. Ele acredita que o ator é um agente transformador da sociedade e a arte é uma ferramenta fundamental na formação cultural de qualquer pessoa.

 

 

Fonte : FIC

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