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Instrumentos utilizados no procedimento

Relatório aponta crescimento no número de mutilação genital de mulheres no Reino Unido

Documento alerta sobre a necessidade de prevenção e erradicação da prática

Por Brunno Falcão

Um documento, elaborado por especialistas das faculdades de Enfermagem, Obstetrícia e Ginecologia, pelo sindicato Unite e pela ONG de direitos humanos Equality Now, foi apresentado, nessa segunda-feira (04), na Câmara dos Comuns do Parlamento britânico.

No relatório, os profissionais da saúde e de serviços sociais fazem uma série de recomendações sobre a mutilação genital feminina (MGF), uma prática que classificou como crescente no país, e alertam as autoridades do Reino Unido sobre a necessidade de intensificar as políticas de prevenção e erradicação da prática.

De acordo com o relatório, o problema afetou 66 mil mulheres na Grã-Bretanha e Irlanda e, aproximadamente, 23 mil jovens de 15 anos estariam em risco.

Intitulado "A luta contra a Mutilação Genital Feminina no Reino Unido", o texto destaca que os sistemas de saúde e serviços sociais falham na proteção das meninas e mulheres frente à prática, considerada abuso infantil e qualificada como tortura pelas Nações Unidas.

Choque cultural

A mutilação genital feminina foi proibida no Reino Unido em 1985, mas imigrantes de países como Somália, Egito, Mali e Sudão, em que ela é um costume cultural permitido, continuam a fazê-la de forma ilegal.

A ginecologista e obstreta Fabiana Garcia é categórica: “mesmo que seja uma prática cultural, deve ser combatida em todo o mundo, uma vez que não traz nenhum benefício, apenas prejuízos, colocando as vidas de tantas meninas em risco”, diz.

Entre as consequências, ela destaca o fato de que o procedimento é extremamente traumático e doloroso, uma vez que “é realizado sem anestesia e, na maioria dos casos, sem o material e cuidados necessários em procedimentos corretivos, por exemplo, o que pode resultar em sérias infecções".

O documento apresentado ao parlamento pede que médicos acionem a polícia ou os serviços sociais ao notarem que alguma paciente possa fazer a ablação. Recomenda ainda que se inicie uma campanha nacional de conscientização sobre o tema, assim como as promovidas sobre o HIV e a violência doméstica.

 

Fonte : Fic

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