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Pedestre é refém da desorganização do tráfego

Em contramão ao Código Brasileiro de Trânsito, Goiânia ainda prioriza automóveis

Problemas com a sinalização na Avenida Anhanguera coloca a segurança do pedestre em risco.  No cruzamento entre a principal avenida de Goiânia com a Alameda das Rosas, no Setor Oeste, quem sai da plataforma do Eixo Anhanguera pelo lado leste enfrenta dificuldades para atravessar a via para chegar ao Lago das Rosas. Não existe um momento em que os sinaleiros da via ficam vermelhos para que os pedestres possam atravessar a faixa de pedestre em segurança. Quem fica no prejuízo é o pedestre que passa muito tempo esperando no meio da faixa até conseguir atravessar a rua.

É o caso da estudante de psicologia, Fernanda Gonçalves, que passa diariamente pelo local e  enfrenta o mesmo problema. Fernanda afirma que “fica muito tempo tentando atravessar a rua e os carros viram muito perto, a ponto de atropelar”. Ela ainda lembra que para conseguir chegar à calçada é preciso olhar o tempo todo para trás. Casos semelhantes acontecem em outras localidades de Goiânia. O pedestre não consegue atravessar toda a faixa porque o tempo semafórico é insuficiente para que a travessia seja feita com segurança. A pessoa é obrigada a ficar no meio do cruzamento, algumas vezes sem a ilha que abrigaria o pedestre. Esse caso torna-se mais complicado quando se fala em idosos e cadeirantes e mais uma vez o direito de acessibilidade ao indivíduo cerceado.

De acordo com a professora de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Goiás, Erica Quineibe, em Goiânia já existem mais de um milhão de pessoas circulando pela cidade e, em alguns locais, a preferência no trânsito continua sendo dos automóveis e não dos mais vulneráveis: os pedestres e ciclistas. Sobre o cruzamento da Avenida Anhanguera com a Alameda das Rosas, ela ressalta que “além de ser necessário ter um tempo específico para o pedestre atravessar a rua, é preciso priorizar a segurança desse indivíduo para chegar à plataforma do Eixo”. A arquiteta ainda lembra que este problema não ocorre somente na Avenida Anhanguera, segundo Erica, os tempos de semáforo precisam ser revistos, também, em outras localidades.

Legislação

Os problemas relatados surgem quando se fala de uma cidade nova, considerada inovadora pelo seu projeto urbanístico. No entanto, isso não assegurou que fossem respeitadas também as normas sancionadas em 2008 pelo Plano Diretor de Goiânia. Tanto o Estatuto do Pedestre, lei municipal, quanto o Código Brasileiro de Trânsito, lei federal, garantem que os direitos dos pedestres sejam respeitados. Essas normatizações preveem acessibilidade, livre mobilidade, conforto, segurança e preferência no trânsito. Contudo, não é o que se vê nas vias do corredor Anhanguera. Um cadeirante, por exemplo, não consegue atravessar um cruzamento como o da Alameda das Rosas em segurança.

O engenheiro de tráfego da Secretaria Municipal de Trânsito, Trasportes e Mobilidades (SMT) Carlos Miranda, declarou que o órgão trabalha hoje com uma demanda acima de sua capacidade e por isso os problemas em semáforos como os da Avenida Anhanguera ainda não foram resolvidos. Ele afirmou também que muito do que a SMT realiza é de responsabilidade do governo estadual. “Na concessão do corredor Anhanguera ao Estado de Goiás, foi estabelecido que o governo seria responsável pela implementação do transporte público e também pela urbanização do mesmo, incluindo a sinalização”, diz.

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