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Proposta de mudança na imagem dos presídios

Sistema prisional goiano discute realidade do cárcere e propõe nova imagem para a gestão estadual

Por Wéber Félix

Eu prefiro morrer a ir para a cadeia no País.” A frase emblemática foi dita pelo atual ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em um pronunciamento público em 2012. Esse tipo de discurso levanta uma série de questões quando se fala em presídios no Brasil. A ideia recorrente é que as péssimas condições estruturais encontradas nesse local não contribuem para o processo de reeducação do custodiado. Essa situação tem levado muitas pessoas a também questionar o modo operante do sistema prisional do País.

A superexposição midiática de uma imagem negativa tem exercido forte influência para a construção do imaginário da população brasileira sobre o tema. São jornais impressos, tevê, internet e rádio que diariamente pautam a precariedade dos serviços ofertados e os maus tratos sofridos pelos prisioneiros. Ana Paula Ribeiro, servidora federal, afirma que a imprensa simplesmente cumpre seu papel em mostrar as mazelas do sistema. No entanto é crítica ao dizer que “as administrações prisionais têm se esforçado para mudar o aparelho de reeducação do preso”. Ela ressalta que “há aspectos positivos na gestão carcerária e cita o programa escolar como uma iniciativa a ser enaltecida”.

Segundo o presidente da Agência Goiana do Sistema de Execução Penal (Agsep), Edemundo Dias, “as penitenciárias brasileiras, realmente passam por graves problemas como as superlotações e a falta de servidores para o setor”. Apesar de existir um sistema debilitado e caótico, Dias ressalta que há esforços pontuais a serem considerados. Entre eles, o presidente da Agsep cita o programa de alfabetização, projetos de fabricação de artesanato, confecção de vestuário e os cursos de capacitação profissional agropastoril e na indústria que são ofertados dentro das casas goianas de reclusão.

Os projetos realizados dentro da penitenciária são exemplos de iniciativas que auxiliam a reeducação dos presos. Edemundo Dias considera que as ações deveriam também ser veiculadas, ao invés da imagem comumente explorada pela imprensa espetaculosa. Segundo ele, “o conceito negativo retratado pelos jornais têm causado diversos prejuízos para a reinserção dos encarcerados após a passagem pelo sistema prisional”. Além da marginalização, eles são alvos de preconceitos e agressões. A situação descrita tem sido elemento importante para o alto índice de reincidência dos crimes que chega, hoje, aos 70%.

Mídia e Cadeia

Visando estabelecer uma relação harmoniosa entre as três instâncias: gestão prisional, mídia e sociedade, a Agesp decidiu incentivar a discussão sobre os problemas atuais dos presídios e a reinserção do preso à sociedade. Para o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de Goiás Cláudio Curado, a abertura das discussões entre as duas instâncias “é um caminho que possibilita a mudança no comportamento da sociedade em relação ao presidiário”.

De acordo com o gestor Edemundo Dias a discussão dos problemas possibilita caminhos para uma melhor estruturação do sistema, inclusive na formação dos servidores que ali trabalham. “Os carcereiros deixam de ser apenas guardiões do mal e tornam-se elementos-chave para a reeducação dos presos”. Ele ressalta que o diálogo entre imprensa e gestão carcerária diminuirá a sensação de impotência existente e o descrédito nas leis do País.

Fonte : Facomb

Categorias : Cidadania

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