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Grupo Pela Vidda e a luta contra Aids

Projetos da Ong oferecem apoio a pessoas portadoras de HIV, trabalham a prevenção ao vírus e enfrentam preconceitos sociais

 

 O Grupo pela Vidda de Goiânia foi criado em 1990, durante a primeira manifestação mundial de luta contra a Aids, que ocorreu no centro da cidade. A iniciativa de criar a organização nasceu de pacientes do Hospital de Doenças Tropicais, HDT, que na época se mobilizavam para conseguir doações e comprar antiretrovirais para portadores que não tinham condições financeiras.

Além da cidade de Goiânia, a organização está presente em São Paulo capital, Rio de Janeiro e Niterói (RJ). O Grupo Pela Vidda no estado de Espírito Santo deixou de existir devido a dificuldades que algumas cidades têm em manter a entidade. Em Goiânia, as verbas para os projetos do Grupo, que foram aprovados em editais, demoram em média de três a quatro anos para chegar. Nesse longo período de espera, a organizam conta com o apoio de doações de colaboradores para se sustentar.

Projetos

Hoje, o Grupo Pela Vidda de Goiânia trabalha com três projetos junto a comunidades de pessoas que vivem com Aids ou pessoas que fazem parte de grupos mais vulneráveis. Um dos projetos é o Ser mulher, em que a autoestima da mulher portadora do vírus HIV vem em primeiro lugar. Na casa da Ong foi montado um salão de beleza e nele as mulheres recebem cuidados no cabelo, aprendem mais sobre maquiagem se sentem mais bonitas.

Para Liamar Oliveira, vice-presidente da Ong, o Ser mulher é um projeto que enfrenta o preconceito que as mulheres são vítimas por serem portadoras do vírus HIV. A autoestima elevada incentiva as mulheres a se perceberem como seres belos e dignos de respeito, e esse sentimento positivo por si mesma é um grande passo para superar feridas causadas por estigmas e discriminações vindos da sociedade.

A vice-presidente afirma que no Brasil o preconceito contra pessoas que vivem com Aids ainda é grande. Liamar cita casos em que um atestado médico vindo do HDT gera desconfiança de que o funcionário é portador, e não raro isso é suficiente para uma demissão. “As pessoas são muito curiosas”, diz Liamar, e completa falando dos telefonemas que a Ong recebe de pessoas que procuram se tal alguém frequenta o Grupo para daí tirar conclusões se o conhecido é ou não portador.

Uma mulher que prefere não identificar o nome na reportagem diz que as pessoas que vivem com HIV sofrem preconceitos no local de trabalho e dentro do próprio núcleo familiar. Ela é soropositiva e participa das atividades do Grupo pela Vidda de Goiânia e conta que já ouviu de um juiz federal que o centro da cidade não é local para alguém como ela morar. “Ele quis dizer que eu como portadora de Aids deveria me mudar para a periferia”, relata.

Outro projeto do Grupo Pela Vidda é o Phoco. Nesse trabalho a organização vai até boates e casas de shows, distribui preservativos e realiza oficinas sobre o tema prevenção com stripers e outras mulheres que trabalham no local. O terceiro projeto, Justiça pela Vidda, presta apoio jurídico a pessoas que vivem com Aids e que muitas vezes tem seus direitos negados devido a preconceitos.

Além dos projetos, O Grupo Pela Vidda realiza toda quinta-feira, a partir das 14h, uma reunião com mulheres que vivem com Aids. “A ideia é ouvir o que elas precisam e não impor nada que elas não estejam com vontade de fazer”, detalha Liamar. Nas reuniões as mulheres conversam sobre prevenção, assistem filmes relacionados a alguns temas e participam de dinâmicas como massagem em grupo. 

Tratamento

A Unaids é um programa das Nações Unidas que contribui com países do mundo todo no alcance ao acesso universal de tratamento e prevenção da Aids. De acordo com o relatório da organização sobre a resposta à Aids no Brasil, no país há hoje 630.000 pessoas que vivem com o vírus e cerca de 38 mil novos casos a cada ano.

Liamar de Oliveira, vice-presidente do Grupo Pela Vida de Goiânia, atenta para o aumento do número de infecção entre os jovens. “Eles perderam o medo do vírus, acham que hoje a situação é muito facilitada com os medicamentos”, diz Liamar. O Boletim epidemiológico de 2012, publicado pelo Ministério da Saúde, informa que há uma tendência de maior infecção entre os jovens de 15 a 24 anos após o período de 2002 a 2006, em que a taxa de incidência chegou a 7,8/100.000 habitantes. De 2007 a 2011 a incidência atingiu o valor de 10,9/100.000 habitantes.

A vice-presidente afirma que o tratamento para as pessoas que vivem com HIV precisa ser um trabalho  multidisciplinar que envolva infectologistas, psiquiatras e assistentes sociais. “O tratamento não é só o coquetel, envolve lazer, esporte e qualidade de vida”, completa. A Lipodistrofia, um efeito colateral dos antiretrovirais que leva a perda de peso, pode ser cuidada com atividades esportivas e uma alimentação adequada. “Contudo, muitas pessoas, pela condição social não tem acesso ao esporte e a uma boa alimentação”.

Liamar ressalta que os governos precisam entender que o tratamento da Aids vai além dos antiretrovirais e que requer um bom sistema público de saúde, pois muitas pessoas que vivem com HIV morrem por doenças oportunistas como turbeculose e meningite e não encontram suporte nos hospitais públicos.

 

 

 

 

Fonte : Facomb

Categorias : Cidadania

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