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Música Livre

Com a internet, mudam os sentidos de produção e consumo quanto à indústria fonográfica, quanto à música

 

Por Yago Rodrigues

“Sou música”, narra Marisa Monte. “A música é um meio de transporte e assim como me leva para o outro lado do mundo, também me traz de volta para casa, em segundos”, continua. Isso em seu documentário “Infinito ao Meu Redor”, de 2008. José Júlio Lopes, lá em 1998, escreveu sobre a coisificação da música, isso, com base em Adorno. E por aí, caminham questões e formas de se pensar música.

Pedro Falcão é músico. Formado em musicoterapia, se completou quando músico profissional, integrante das bandas Cambriana, Shotgun Wives e Fantoches Anônimos. Pedro acompanhou as mudanças desses sentidos sobre música e de um mercado fonográfico “não como ‘fornecedor’, sim como consumidor”, comenta.

O lisboeta José Júlio Lopes anunciava em seu texto “Música e Internet: Pluralismo ou Globalização?” algumas das mudanças que sofreria a música quanto à plataforma digital. Mas lá em 1998, o que se esperava eram as tão recorrentes coletâneas, para ele uma forma que as pessoas teriam de reunir os diferentes gostos musicais.

Musicoteca

Criada em 2003, a Musicoteca tem um acervo de A a Z, da cena nacional

(Foto: Reprodução)

Hoje, os resultados que se observa com internet são além das coletâneas de músicas. “Um espaço para quem quer ‘conhecer e mostrar a nova música brasileira’” está na descrição da Musicoteca, um site de compartilhamento. Blogs, canais em diferentes sítios, sites pessoais e oficiais de bandas disponibilizam singles, EPs, álbuns e mais álbuns.

Internet

“Constantemente, eu ‘descubro’ artistas sensacionais na internet que por sinal é, sem dúvida, o principal meio de divulgação das minhas bandas e projetos” afirma Pedro. Além do conhecer diferentes bandas, a “música livre” pode acrescentar um novo sentido ao que é pluralismo, em Júlio. Além da coexistência pacífica e não divida das poéticas, uma democracia no fazer e até no consumir arte.

Marisa, em seu documentário, comenta sobre a revolução musical, que trouxe acessibilidade à todos e ainda fala sobre a produção de um disco, que pode ser feita, hoje, em casa. Essa distribuição pela internet é mais um recurso que garante acessibilidade. A Shotgun Wives, de Pedro, é um exemplo dessa disponibilização para download do álbum – como a Musicoteca que traz inúmeros discos de diferentes bandas.

Shotgun

(Foto: Reprodução página oficial Facebook)

Ter os discos físicos, não é talvez dez por cento do que se tem no HD do computador, mas assim como o vocalista e musicoterapeuta, ganhar discos ou comprar um e outro álbum, ainda é um gosto em comum para inúmeras pessoas.

E nessa produção e consumo, implicam-se outras questões como, por exemplo, direito autoral ou qual o alcance e o real acesso que a internet proporciona ou até questões para se pensar e pensar. Aqui, uma vírgula sobre o assunto, sobre a forma de produção e o comportamento de consumo, sobre mais um sentido em que se caminha a música.

Fonte : Fic

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