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Consumismo além-mar

Gastos dos brasileiros no exterior crescem mais de 10% em relação ao ano passado e batem recorde 

 

Por Marcelo Gouveia

 

Para quem gosta e pode viajar, fazer compras no exterior é uma opção financeira bastante viável. Segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC), apenas no primeiro trimestre deste ano, os gastos dos brasileiros em viagens ao exterior bateram recorde e chegaram a US$ 6 bilhões, com alta de 11,5% em comparação a 2012.

Com o grande número de pessoas que compram mercadorias em outros países, a economia brasileira começa a sentir o reflexo negativo dessa realidade.

Ainda de acordo com dados do BC, as despesas dos estrangeiros em território nacional nos primeiros quatro meses de 2013 não compensaram nem um quarto do que os brasileiros deixaram lá fora. No mês de abril, por exemplo, o país registrou déficit em transações correntes de US$ 8,318 bilhões.

Este é o pior resultado para o mês de abril desde o início da série histórica, iniciada em 1980. Com isso, o déficit acumulado dos últimos 12 meses é de US$ 70 bilhões, o que representa 3,04% do Produto Interno Bruto (PIB).

 

Considerações

A economista Andrea Freire de Lucena afirma que o fato dos gastos dos turistas brasileiros no exterior serem superiores aos dos turistas estrangeiros no Brasil não pode ser explicado pela existência de um câmbio favorável e que existem outras explicações.

Uma destas explicações é a diminuição de renda e o consequente desemprego em alguns países afetados pela crise econômica mundial. “Isso faz com que os turistas dessas nações cortem as despesas com o turismo, o que prejudica a vinda de turistas ao Brasil”, aponta Lucena.

Já as razões pelas quais os brasileiros preferem gastar no exterior, a economista acredita que se dê pelo incentivo do governo brasileiro ao consumo de bens, o que diminui a taxa de juros e possibilita crédito mais barato, incentivando o consumo de serviços, como a compra de passagens internacionais.

 

Aprofundamento

Outras explicações para tal realidade, ainda de acordo com Lucena, é o barateamento das passagens aéreas internacionais e o fácil acesso à rede de hotéis com o uso crescente de reservas pela internet.

Apesar de o dólar não se encontrar em baixa, os gastos de brasileiros no exterior se mantêm alto. A implicação mais direta desta circunstância é a manutenção na conta da balança de serviços nacional.

“Tudo que entra e sai do Brasil é contabilizado no balanço de pagamentos. Esse índice é formado por várias contas. A mais conhecida é a balança comercial, a que mede o nível de exportação e importação. Se várias contas passam a ser deficitárias, então, teremos que ter recursos para pagar esses déficits”, explica Andrea Freire de Lucena.

Fonte : FIC

Categorias : economia

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