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Feminicídio – crime sem justificativas

O porquê a violência contra a mulher não é justificável, nem aceitável e nem tolerável

Por: Grace Shelem

 

 

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                                                                                         Foto:Grace Shelem

Os casos de violência contra a mulher em Goiânia já ultrapassaram a marca de 1.300. O número foi contabilizado entre os meses de janeiro e maio desse ano. Porém, essa quantidade representa somente os boletins de ocorrência feitos pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, a Deam. Isso quer dizer que a soma pode não representar a realidade. Segundo pesquisa divulgada pelo Mapa da violência, entre 1980 e 2010 mais de 92 mil mulheres foram assassinadas no país. As maiores taxas de vitimização concentram-se na faixa dos 15 aos 29 anos de idade. 

 As motivações para esse crime são supostas verdades arraigadas na história da humanidade – mulheres são emocionais, não são capazes de tomar decisões baseadas na razão, são frágeis, nasceram para a casa. A doutora em Ciências Sociais, professora Eliane Gonçalves, afirma que isso causa “uma naturalização da violência que se traduz em piadas, insultos, tendo por foco sua sexualidade, seus corpos, seus comportamentos. Aliás, os corpos das mulheres são alvo de inúmeras disputas: a obrigação social de ser mãe, a beleza e juventude, o controle do prazer, o regramento da fala etc.”.

 Existem também outras "justificativas", como o fim de um relacionamento, traição e até o uso de uma roupa curta. Porém, a violência não se resume à agressão física. A professora mestre em Educação, Angelita Pereira de Lima, lembra que preconceito e estereótipos fazem parte da violência simbólica. Essa prepara o caminho para a agressão física: “numa relação de violência, a mulher não está sendo tratada como sujeito, mas sim, como objeto”, afirma.

Classe social

A violência contra a mulher pode ou não ter relação com a classe social da vítima. A professora especialista na área de violência e discriminação social, Dalva Maria Dias de Souza, afirma que “os estudos sempre disseram que a violência contra a mulher é transversal. No entanto, as classes populares, a religiosidade, a tradição, impõem mais profundamente o silêncio da mulher e o conformismo, fazendo com que as agressões físicas sejam maiores”.

A delegada titular da Deam, Ana Elisa Gomes Martins, afirma que “às vezes a vítima não trabalha e vive para cuidar da casa. O marido acaba aproveitando dessa dependência para agredi-la. Ele acha que em razão disso, tem poder sobre os sentimentos, finanças e corpo da mulher”. Já a doutora em Sociologia e Ciência Política pela Universidade Complutense de Madrid, professora Telma Ferreira, explica que é difícil para elas saírem do ambiente privado e denunciarem no público.

 

 

Fonte : Fic

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