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Foto reprodução

Mais que comida

Professor da Universidade de Emory defende que cachorros têm, sim, sentimentos.

Brunno Falcão

Por dois anos, Gregory Berns, professor de neuroeconomia da Universidade de Emory e colegas treinaram cães a realizarem exames de ressonância magnética, acordados e não anestesiados. Assim, foram mapeadas as reações cerebrais dos cachorros a estímulos.

A primeira “voluntária” – assim foram tratados todos os cães pesquisados – foi a cadela adotada pelo próprio Berns, Callie. Ela foi treinada a entrar numa réplica do aparelho de ressonância magnética que o pesquisador construiu em casa e aprendeu a ficar parada no local exato.

Callie também precisou se adaptar aos protetores de ouvido, necessários em razão da audição sensível dos cães e aos 95 decibéis de ruído que o aparelho de verdade faz.

Depois de meses de treinamento e algumas tentativas no aparelho real, foi possível produzir os primeiros mapas da atividade cerebral de Callie. Além de terem sido mapeadas as respostas do cérebro dela aos estímulos, também foram identificadas as partes que distinguem aromas familiares e não familiares.

Cachorros também são pessoas

“Usando a ressonância magnética para analisar a estrutura cerebral dos cachorros, não podemos mais esconder a evidência. Cães, e provavelmente muitos outros animais (especialmente os primatas, nossos parentes mais próximos), parecem ter emoções como nós”, defendeu o especialista em artigo publicado no New York Times.

Os estudos ainda estão no início, mas já indicam que há semelhanças entre cachorros e pessoas nas estruturas de funcionamento do chamado núcleo caudado do cérebro, uma região relacionada aos mecanismos de recompensa.

Nos cães, a atividade nesta parte do cérebro também ficou ativa quando o dono do animal reapareceu. Isto está sendo interpretado como um indicativo de que os animais amariam, de verdade, seus donos.

“A capacidade de experimentar emoções positivas, como o amor e o apego, significaria que os cães têm um nível de sensibilidade comparável a de uma criança humana. E essa capacidade sugere que devemos repensar a forma como tratamos os cães”, defendeu Berns, em seu recente livroHow Dogs Love Us: A Neuroscientist and His Adopted Dog Decode the Canine Brain”, ainda sem tradução.

Fonte : FIC

Categorias : Ciência e Tecnologia

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