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fast fashion

Além da moda e consumo

Modelo de comercialização da moda que abastece o mercado com novidades do mundo fashion de forma rápida já é realidade em todos os países e gera impactos na econômicos e ambientais

Por Thaís Tarelho

O conceito de fast fashion, traduzido como ‘moda rápida’, foi criado no final dos anos 1990, na Europa, e caracteriza as marcas que possuem uma política de produção rápida e contínua das peças, trocando as coleções semanalmente e levando ao consumidor as últimas tendências da moda com preços acessíveis.

Sobre a explosão desse modelo, a blogueira Bruna Said Miguel ressalta a dualidade entre a unicidade da alta costura e a produção em massa do fast fashion, que busca satisfazer os desejos momentâneos dos clientes e apresentar peças que mantenham a exclusividade por serem limitadas e passageiras.

A popularidade do fast fashion assinala uma mudança significativa no padrão de consumo da atualidade, pois atende uma demanda mundial de consumidores mais exigentes, habituados às compras por impulso e preocupados em satisfazer suas necessidades pessoais de consumo, como afirma Maria Celeste Sanches em seu artigo.

No livro ‘A Revolução do Fast Fashion”, o escritor italiano Enrico Cietta afirma que as empresas que conseguiram explorar a natureza híbrida dos produtos de moda, adaptando o modelo de negócio e organização criativa, produtiva e distributiva têm alcançado grande sucesso. Em 2010, ele explicou o que é o fast fashion e falou sobre o modelo de negócio entrevista ao portal IG.

 

Os impactos do modelo de produção

 

Por pregar a cultura do consumo rápido, o fast fashion incentiva as pessoas a não esperarem liquidações, pois na semana seguinte a peça pode já ter sido vendida. Essa relação implica que o aumento da produção garante preços mais acessíveis.

Porém, como afirma o fundador do site Coletivo Verde, Guilherme Augusti Negri, a verdadeira intenção das empresas fast fashion é produzir e vender o mais rápido possível, gerando um grande e negativo impacto sobre os trabalhadores desse modelo, que são obrigados a atenderem uma enorme demanda sob péssimas condições de trabalho e salários baixíssimos.

Endossando esse discurso, a jornalista Lucy Siegle, do norte americano The Guardian, investigou o impacto da política do fast fashion nas fábricas e nas pessoas que produzem estas roupas e publicou sua análise em matéria que afirma que o apetite britânico por fast fashion está levando trabalhadores a condições de trabalho escravo.

Guilherme Negri também aponta que esse modelo produtivo é uma máxima do consumismo, que prega a ideia da compra frenética e do descarte impensado, sem analisar as consequências desse ato sobre o meio ambiente.

O que se prega não é que as pessoas deixem de apreciar e consumir moda, mas que o façam de forma mais consciente e responsável, considerando todo o contexto que envolve a produção e distribuição dos produtos. 

Fonte : FIC

Categorias : Comportamento

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