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O perigo do silêncio

 

Entre a ausência de denúncias e a incompreensão, o abuso contra menores continua sendo negligenciado e fazendo vítimas

 

 

 

Por Laysse Sanches

 

A violência doméstica é um problema social que atinge todo o Brasil, sem distinção de classe econômica e pode ser física, sexual ou psicológica. 

 

O Cevam (Centro de Valorização da Mulher) em Goiânia, além de receber mulheres vítimas de violência, acolhem também crianças. Entre as 65 pessoas abrigadas dentro da instituição, 50 delas são menores.

 

Outra instituição que oferece apoio à criança e ao adolescente é o CREAS (Centro de Referência Especializada de Assistência Social). Além de menores, eles também atendem mulheres, deficientes e idosos que sofreram violência e tiveram seus direitos violados. No CREAS de Silvânia, município de Goiás, o atendimento é mais voltado para as crianças.

 

Rita Oliveira, que trabalha há três anos como educadora social na unidade, explica como funciona o processo inicial de acompanhamento às vítimas. “Nós recebemos o encaminhamento do conselho tutelar, do ministério público ou da polícia e então estudamos o caso. O primeiro passo é o atendimento psicossocial aos pais da criança para recolher informações.”

 

 

Denúncia

 

Na maioria dos casos a mãe não relata o que está acontecendo, seja por medo ou por vergonha” disse Maria das Dores. A proximidade com o abusador acaba dificultando o processo de denúncia. “A mãe não denuncia tentando proteger a criança ou por receio de entregar o companheiro. Muitas vezes são padrastos que cometem a violência e não são denunciados porque sustentam a família” comenta Rita.

 

Maria das Dores alerta ainda para o papel que a comunidade educativae a própria sociedade podem desempenhar “é importante que a escola acompanhe suas crianças e perceba que há algo de errado com elas. Pois elas, muitas vezes, apresentam mudanças de comportamento como não querer ir estudar, se isolarem, chorarem bastante”.

 

A denúncia pode e deve ser feita por qualquer pessoa que saiba ou desconfie de alguma coisa. “Hoje, é possível discar para o número 100, que é uma linha de atendimento nacional criada para receber denúncias de violência contra crianças e adolescentes” explica ela.

Categorias : Violência

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