Weby shortcut
4884
Cadeirante

O direito à acessibilidade e à integração

Ainda hoje, portadores de deficiência física enfrentam dificuldades nas ruas de Goiânia

 

Por Nathália Barros

 

A legislação brasileira prevê o direito de ir e vir aos portadores de deficiências físicas, além da sua integração social por meio do trabalho e da educação. Apesar disso, pessoas com necessidades especiais ainda sofrem com a falta de acessibilidade e com serviços que não funcionam de fato na capital goiana.

Meios de transporte acessíveis e infraestrutura adequada são fundamentais para manter qualidade de vida dos portadores de deficiência física. Assentos especiais em ônibus, rampas de acesso e calçadas planas e sem buracos; tudo isso são atitudes que podem facilitar a locomoção do cadeirante na cidade e que, inclusive, são um direito.

Embora o transporte público de Goiânia tenha lugares reservados às pessoas com necessidades especiais, o cadeirante Jaire Reis, da Adfego (Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás), afirma que o serviço não é totalmente satisfatório. “O transporte em Goiânia ainda deixa muito a desejar”, conta. “A sociedade ainda não abriu os olhos para a necessidade de um país acessível”.

Para Jaire Reis, os transtornos enfrentados na hora de usar o transporte público gera um sentimento de incapacidade. “Você tem que passar por constrangimento de pedir ajuda ou menos de desistir. Isso nos fere, além de ir contra a nossa constituição que prevê que todos têm o direito de ir e vir”, explica.

A cadeirante Flávia Carneiro, que também trabalha na Adfego, conta que se sente desrespeitada quando utiliza o Embarque Solidário, serviço criado para permitir que os usuários preferenciais possam entrar primeiro nos ônibus do Eixo Anhanguera. A falta de fiscais permite que os passageiros normais utilizem o Embarque Solidário e entrem na frente daqueles que realmente são preferenciais.

Entretanto, a pior queixa de Flávia Carneiro com relação ao Embarque Solidário é o desnível entre a plataforma e o ônibus, no Terminal Padre Pelágio. “O motorista para muito longe da plataforma. Eu tento fazer o possível para entrar sozinha. Algumas pessoas ajudam também. Ainda assim, tenho medo da pessoa me deixar cair”, revela.

 

Trabalho

De acordo com a Lei. N. 8.213/91, deve existir uma cota de 2% a 5% para deficientes físicos em empresas com mais de 100 empregados. No entanto, Jaire Reis alerta que há empresas que, apesar de obedecer a essa lei, ainda não estão preparadas para receber o deficiente físico.  

“Existem empresas que tem uma resistência em empregar pessoa com deficiência e têm outras que recebem de braços abertos”, comenta Jaire Reis. “Além disso, algumas realmente agem de má fé. As empresas abrem um processo seletivo para vagas que não existem ou então contratam um deficiente, mas quando termina o contrato, eles são demitidos”.

Jaire Reis acredita que o que falta é conscientização. “Eu acho que se houvesse comunicação entre entidades representativas, entre o governo público e também os empresários, com certeza, iríamos achar uma forma de ajudar a empresa a cumprir a lei e, claro, dar oportunidade dessas pessoas realmente terem uma vida digna”, relata.

Fonte : Facomb

Categorias : Cidadania

Listar Todas Voltar