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Cinema 2

O cinema goiano nos últimos anos

Festivais como o FICA e a criação do curso de Audiovisual contribuíram para fomentar as produções regionais

 

Por Nathália Barros

“Fazer cinema para mim é como respirar. Não conseguiria viver de outra maneira”, conta a cineasta goiana Alyne Fratari. O cinema produzido em terras goianas cresceu e despontou nos últimos dez anos. Muitas produções do estado vêm se destacando frente aos festivais, ganhando reconhecimento por parte do público. O curta “Julie, Agosto, Setembro” de Jarleo Barbosa, sócio da Panaceia Filmes, foi um dos grandes destaques em 2011 e concorreu e ganhou prêmios em diversos festivais do país como o FICA (Festival Internacional de Cinema Ambiental).

Além de Jarleo Barbosa, surgiram em Goiás diretores como Pedro Novaes (“Cartas do Kuluene”), Alyne Fratari (“Descrição da ilha da saudade ou Baudelaire e os teus cabelos”), Simone Caetano (“Verde Maduro”), Cláudia Nunes (“Rapsódia do Absurdo” e “Número Zero”), Lourival Belém (“Recordações de um Presídio de menino”) e inclusive nomes que se destacam na produção de animações como Márcio Jr. e Márcia Deretti (“O Ogro” e “Peixe Frito”).

Pode-se dizer, portanto, que desde os anos 2000 o cinema goiano vem ganhando espaço no Brasil. “O cinema feito aqui evoluiu muito nos últimos dez anos. Saímos de uma produção quase inexistente para um momento muito positivo. Os últimos foram bastante simbólicos, já que vários filmes produzidos aqui começa¬ram a despontar em grandes festivais”, afirma o diretor Pedro Novaes. “As pessoas estão apostando mais. Estão experimentando a linguagem cinematográfica, com propostas estéticas mais claras e ousadas. Essa preocupação vem de agora”, complementa Alyne Fratari.

As leis municipais e estaduais de incentivo à cultura que foram criados contribuíram para esse relativo crescimento das produções audiovisuais. O surgimento de prêmios e festivais como o FICA e a criação da faculdade de Audiovisual na Universidade Estadual de Goiás (UEG) – que possibilita o aprimoramento técnico dos goianos e preenche o vazio deixado pelo fim do curso de Rádio e TV da Universidade Federal de Goiás (UFG) – também colaboraram para essa leve evolução do cinema em Goiás.

 

Desafios

Apesar da inegável melhora nas produções regionais, o incentivo à cultura em Goiás ainda é fraco comparado ao de estados como o Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco e Porto Alegre. “As leis municipais têm ajudado, mas estão muito longe daquilo que consideramos como o ideal. O cinema é uma arte cara e as políticas públicas dedicam uma atenção pouco cuidadosa às atividades culturais”, explica Pedro Novaes.

“Nós queremos um estado que não seja preguiçoso e que invista de fato. Nós estamos em uma briga muito séria devido à falta de investimentos expressivos. É impossível fazer um filme com apenas 30 mil”, completa Alyne. “Também sofremos com a falta de mão-de-obra qualificada. Muitas vezes, temos que trazer gente de fora para trabalhar aqui. Fora o curso da UEG, não há outros investimentos significativos na formação”.

 

Fonte : Facomb

Categorias : Cultura

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