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Giral de Saberes reúne conhecimentos polpulares e eruditos

 

 

Projeto de extensão da Faculdade de Artes Visuais atua em comunidades quilombolas do território Kalunga.

 

Por Layane Palhares

 

A produção de conhecimento não é algo exclusivo de instituições de educação ou pesquisa, mas também está presente em todas as esferas da sociedade. Partindo disso, desde 2009 o projeto de extensão “Girau de Saberes: uma ação artística em comunidades” une conhecimentos eruditos aos populares congregando pessoas de comunidades quilombolas do terrítório Kalunga com estudantes e professores da UFG. Maria Tereza Gomes, coordenadora do Girau dos Saberes, nos contou um pouco mais sobre a atuação desse projeto da UFG nas cooperativas.

 

J.J.: O que é o projeto Giral dos Saberes e o que ele propõe?

Maria Tereza: O projeto é uma ação artística realizada em comunidades que une conhecimentos eruditos aos populares congregando pessoas de comunidades quilombolas do terrítório Kalunga com estudantes e professores da UFG com o fim de promover a troca de saberes num processo onde a comunidade quilombola assume protagonismo. O projeto propõe atividades onde os mestres de cada comunidade expõem seus conhecimentos sobre determinada prática, compartilhando esses saberes com o restante do grupo.

 

J.J.: Qual é área de atuação do projeto? E quais unidades estão envolvidas com este trabalho atualmente?

Maria Tereza: O Girau de Saberes tem no território Kalunga sua área de atuação. Ele abrange os municípios de Monte Alegre, Teresina de Goiás e Cavalcante onde se encontram as comunidades Engenho II, Limoeiro, Vão de Almas, Vão do Moleque, Comunidade da Prata e Comunidade da Ema.Diversas unidades da UFG estão envolvidas no Girau de Saberes, entre elas a Faculdade de Artes Visuais (FAV), o Instituto de Ciências Biológicas (ICB) e os cursos de Agronomia e Farmácia, o que torna a iniciativa ultra disciplinar. Participam do projeto os professores Sérgio Soares (coordenador geral), Heleno Dias (ICB), José Realino (Farmácia), Wagner Bandeira (Arquitetura) e João Monh (Agronomia), e a professora Maria Tereza Gomes como coordenadora. o Girau de Saberes também atrai estudantes que simpatizam com a cultura quilombola.

 

J.J.: Quais atividades são desenvolvidas com esses grupos?

Maria Tereza: Além dos cursos e oficinas ministrados pelos mesmos, são realizadas rodas de prosa. As atividades têm como fim a organização de grupos de trabalhos com foco na valorização dos saberes populares. A busca é por “resgatar as práticas dos locais de trabalhos coletivos como espaços de encontros, trocas, convivência” e a memória e preservar a identidade cultural daqueles povo. As atividades realizadas juntamente com pessoas dessas comunidades e membros da universidade compreendem oficinas de artesanato com materias encontrados na região como capim dourado, fibras e sementes.

 

J.J.: Como é a intereação da universidade com essas comunidades e como é realizado essa troca de conhecimento?

Maria Tereza: O projeto não é voltado às questões étnicas, mas acima de tudo, culturais. Além disso, a interação entre as pessoas das comunidades e da universidade é muito positiva. Os mestres de cada comunidade ficam responsáveis por ministrar oficinas onde repassam seus conhecimentos para os demais, em contrapartida, por meio de seus estudantes a UFG também passa conhecimentos, propiciando assim uma troca de saberes eruditos e populares.

 

J.J.: Quando o projeto Giral recebe algum tipo de apoio qual seria e de quem?

Maria Tereza: O projeto tem parceria com a Secretaria do Estado de Políticas para Mulheres e Promoção da Igualdade Racial (Semira), Prefeitura Municipal de Cavalcanti, com a Associação Quilombo Kalunga e com a ONG Girau Espaço de Criação e tem apoio da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da UFG. Recebe ainda recursos do Ministério da Educação pelo edital de 2013 do Programa de Extensão Universitária (Proext), e da Caixa Econômica Federal por meio do programa de Apoio ao Artesanato Brasileiro.

 

J.J.: O projeto Giral dos Saberes participou da Agro Centro-Oeste Familiar 2013, uma feira de exposições da agricultura familiar da região que aconteceu entre os dias 13 a 15 de junho. O que vocês troxeram para os estandes?

Maria Tereza: A participação do projeto na Agro Centro-Oeste promoveu uma troca de saberes e o intercâmbio das práticas que envolvam conceitos de identidade cultural. Nos estandes, o público teve a oportunidade de conhecer costumes, tradições seculares e histórias de vidas, através de um bate-papo com representantes, entre eles algumas artesãs e mestres raizeiros com suas plantas fisioterápicas, dos seis núcleos de atuação do projeto no território Kalunga.

 

J.J.: Por fim, como você vê a participação do projeto na feira e o que isso representa para as comunidades?

Maria tereza: A nossa participação no evento fecha um circulo que vai desde a retirada da matéria prima, já que a nossa proposta é trabalhar a utilização consciente da matéria prima local incentivando a conservação, processar essa matéria prima com um padrão de qualidade, junto com a identidade, reforçando os valores tradicionais e a etapa final que a inserção desses produtos no mercado.


Fonte : Facomb

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