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Profissionais da comunicação ou de segurança?

A linha tênue entre a transmissão da informação e a adesão de ações que geralmente não competem ao jornalista

Por Maria Rita Meneses

Em outubro de 2008 aconteceu um dos sequestros que marcou a história do país. A garota Eloá Cristina Pimentel  e sua amiga Nayara Rodrigues foram mantidas em cárcere privado durante mais de 100 horas por Lindemberg Alves, ex-namorado de Eloá. Do lado de fora estava a polícia, a imprensa e cidadãos curiosos pelo desfecho.

Durante o sequestro, apresentadores como José Luiz Datena e Sônia Abrão fizeram contato com o sequestrador, assumindo uma posição que originalmente deveria ser da polícia.  O “caso Eloá” contou, então, com o agravante de ter a presença de pessoas que se intitulam comunicadores durante as negociações.

Não foi a primeira vez que houve intervenção midiática em um episódio do tipo n, tampouco será a última. Em novembro de 2012 Datena protagonizou outra negociação, em Diadema, São Paulo. Dessa vez,  um homem chamado Joel mantinha suas irmãs e a mãe como reféns, dentro de casa. O apresentador conversou com o homem que, por fim, cedeu. Segundo o próprio apresentador, ele só aceitou fazer parte disso por pressão e pedido da polícia de São Paulo. 

O papel de cada um

As ações feitas por Sônia Abrão e Datena foram e ainda são muito criticadas por profissionais da comunicação e de segurança pública, uma vez que não correspondem às reais funções esperadas por um jornalista, como a transmissão da informação.

Segundo Edson Spenthof, jornalista e coordenador no curso de Jornalismo da Universidade Federal de Goiás, “esses casos feriram a ética, tentaram tirar vantagem de um drama alheio. Qual a vantagem? A audiência, o espetáculo”. Spenthof afirma que tais comportamentos são inapropriados, uma vez que o profissional está tentando construir um fato e o jornalista não é um construtor, mas um mediador da realidade, não podendo interferir de tal forma em casos tão delicados.

Além dos limites

Outros crimes famosos no país também foram exaustivamente exibidos e pré-julgados. São os casos da tragédia ocorrida no Rio com o ônibus 174, no ano 2000, a morte da menina Isabella Nardoni, em 2008, entre tantas outros.

Para a advogada e professora Karina Adorno de La Cruz “o limite da imprensa é o de narrar os fatos, divulgar informações e não de prestar esclarecimentos ou fazer especulações”, afirma.  Para ela, o dever de prestar segurança pública é do Estado, por meio da polícia.

Tomar para si uma função que diz respeito a outro profissional é anti-ético, inapropiado, uma vez que o jornalista é um mediador da realidade, não um construtor. O que pode ser feito para coibir tais intromissões é responsabilizar as polícias por sua atuação na segurança pública, impedindo intervenções que não sejam dessa natureza.

 

Fonte : Facomb

Categorias : Segurança

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