Weby shortcut
4884
Manifestações

Gritos de democracia

Jovens mostram sua voz em protestos em todo o Brasil

 

Por Nathália Barros

 

Lidamos com a insatisfação de muitas formas no nosso cotidiano. Podemos nos calar e assim a vida continua; porém com a insatisfação ainda presente, sempre ali, perto o bastante para ser lembrada. Podemos reagir com uma careta aqui, uma reclamação acolá, nada mais. Ou podemos fazer barulho, como muitas pessoas fazem e já faziam. Pode ser que estejamos acostumamos a acordar cedo, a pegar o ônibus cheio, a trabalhar muito e ganhar pouco, a ter nossos direitos violados. Pode ser que estejamos acostumados a nos calar, ficar quietos e não incomodar. Poder ser que digam isso. Mas talvez digam por que é isso o que esperam de nós.

 

O cansaço gerado pelo silêncio, pela insatisfação, pelo desconforto e pelos abusos – fatores que foram acumulados um a um –, finalmente parece gritar. A indignação contida durante anos ganha voz. Não de maneira isolada, mas geral e unida, ainda que os gritos ressoem revindicações diferentes: contra o aumento da passagem, contra a corrupção, contra o preconceito, contra a PEC 37, pelo Brasil. Não são mais caretas aqui e reclamações acolá. São atos e reações. Aqui, em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Brasil. Mesmo com toda a pluralidade e diversidade de pensamentos e maneiras de agir, nasceu, em muitos, uma vontade de mudança que não pode ser parada – e não deve –, uma vontade de gritar e agir. Uma vontade de voltar a sonhar. Sonhar por um mundo melhor, mesmo que soe piegas ou idealista.

 

O que sentimos é o renascimento da democracia brasileira com esses jovens que vão às ruas e protestam por aquilo que acreditam. Não aceitar o aumento da passagem do transporte lotado e precário, repudiar o comportamento conservador e repressivo vindo daqueles que não representam o povo, mas os interesses de outrem; tudo isso é um ato de democracia. Um ato que pode até incomodar o conservadorismo, acostumados a pensar que o povo deveria continuar apático. Um ato que incomoda e que gera atos repressivos; estes, sim, antidemocráticos, e também críticas.

 

A repressão tenta calar aquilo que foi silenciado por anos, tenta calar o povo em sua insatisfação e em sua revolta. Estamos apenas lutando. Diante disso, não podemos nos calar e desistir. A luta pela democracia, com seus gritos e reivindicações, deve continuar. Os movimentos sociais não devem continuar apenas na história, com nossos pais e com a ditadura. Nós podemos fazer a história, aqui e agora, com nossos jovens. Os movimentos sociais são presente. O nosso presente.

 


Categorias : Opinião

Listar Todas Voltar