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O crescimento do jornalismo popular

Segmento cada vez mais crescente conquista público fiel

Lorena Lara

 

Em contramão à virtualização do jornalismo, os jornais populares se constituem como um mercado cada vez mais crescente. Em 2012, segundo a ANJ – Associação Nacional de Jornais, quatro dos dez jornais mais vendidos foram os de linha editorial popular.

A disputa é acirrada. No Rio de Janeiro, O Dia foi o líder do segmento nas últimas décadas, tendo sua liderança arrebatada pelo Extra, das Organizações Globo. Com a queda de vendas, O Dia acabou lançando o Meia-Hora, que faz muito sucesso entre os cariocas.

Em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, os populares estão entre os mais lidos. Porto Alegre conta com o Diário Gaúcho, enquanto em Belo Horizonte a circulação do Super Notícia foi a segunda maior do ano passado.

Com linguagem mais didática, temas cotidianos e manchetes inusitadas, a produção destes impressos pode parecer pouco pensada, mas acaba exigindo grande cautela. Em reportagem publicada pela revista Piauí em Janeiro de 2009, o editor-executivo do Meia-Hora, Henrique Freitas afirma que “não estamos fazendo um jornalismo mentiroso, estamos trazendo humor para o jornalismo.”

Em Goiânia, além do baixo preço, formato acessível e projeto editorial de cores chamativas, o Jornal Daqui, da Organização Jaime Câmara também explora uma experiência multiplataforma para seduzir os leitores. Com a Rádio Daqui e o Daqwitter, ficam integradas radiodifusão, redes sociais e circulação impressa. E funciona - em 2012, o Daqui foi o oitavo jornal mais lido do Brasil.

O crescimento é inegável, mas coloca em pauta a discussão sobre a chamada imprensa de qualidade. Em artigo publicado pelo Observatório da Imprensa, pontua-se que o leitor não é um mero consumidor, mas um cidadão que participa da produção de conhecimento, e que o deslumbramento com os números da imprensa popular não deve deixar que o jornalismo fique nivelado por baixo.

Fonte : Facomb

Categorias : Jornalismo

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