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Certas coisas não se traduz

Aprender um novo idioma é uma viagem que vale a pena fazer

Por Larissa Quixabeira

Uma das minhas primeiras lembranças de infância é a frustração que sentia todas as vezes que pegava um livro de histórias e não conseguia ler sozinha. Por mais que meus pais considerassem de extrema importância me incentivar à leitura, não poderiam ler para mim histórias o suficiente para me satisfazer.

Por isso, me lembro claramente do dia em que eu finalmente quebrei o código, consegui decifrar o segredo e quando percebi, já estava lendo. Um mundo novo se abriu e dizem que a mente que se abre para uma coisa nova, nunca mais volta a ser como era antes. Meu mundo se expandiu de uma maneira única. É claro que, depois desta descoberta, fiz muitas outras, grande parte delas possibilitadas pela própria leitura.

Mas a medida que envelhecemos fica mas difícil encontrar coisas novas a se aprender, com as quais se encantar. Isso porque adultos adoram pensar que sabem de tudo. Mas quando já se sabe o significado de todas as palavras, o jeito é encontrar palavras novas para se aprender.

No entanto, qual seria a utilidade em se aprender uma outro idioma em época de google translator? É claro que, com um celular na mão, é possível se virar em um país estrangeiro sem maiores problemas, mas é preciso mais do que meia dúzia de frases prontas para absorver e compartilhar tudo o que a comunicação verdadeira pode oferecer.

Aprender outro idioma requer curiosidade suficiente para estudar além da grámatica. É preciso ler a literatura, comer as comidas, ouvir as músicas, assistir ao cinema, saber de política, esporte, economia e o que mais despertar o interesse. É preciso conversar com as pessoas.

De que outra forma, afinal, é possível compreender os ditados populares, rir das piadas internas e, finalmente, adquirir a invejada fluência? Ninguém nasce fluente em língua alguma, da mesma forma que ninguém jamais será fluente em todas as línguas, mas tudo vale a pena quando, de repente aquela língua estranha começa a fazer parte do seu dia-a-dia.

Quando você menos espera, já está se irritando com as legendas erradas, soltando um palavrão em alemão ou ainda sabendo exatamente a expressão que precisa em francês, mas a palavra em português lhe foge à memória. Nada como pegar os clássicos de Miguel de Cervantes ou Shakespeare e lê-los da maneira como os autores pretendiam que fossem lidos, sem a intervenção de nenhuma tradução. Aí então, se percebe que ainda há muitos mundos a serem descobertos.

 

Fonte : Facomb

Categorias : Opinião

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