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Identidade dos rios

Da relação entre o homem e a água depende com pletamente a saúde dos rios

Por Luísa Viana

Rosanita Fernandes Moraes, pedagoga, casada e goiana tem uma relação muito intensa com a natureza. Em sua casa cultiva plantas, uma em especial, a antiga jabuticabeira “Arquimedes”. Esse é um costume herdado do pai de nomear as coisas, maneira também de se aproximar das árvores, que ela mesma plantano Parque Botafogo.

O mesmo sentimento cultivado por suas plantinhas é dedicado também à água. Próxima às árvores que plantou e entusiasmada, fala sobre o rio Meia Ponte, “eu tenho uma afinidade com ele da minha infância, foi o primeiro rio da minha vida”. Rosanita reata seus laços com o Meia Ponte por meio das suas lembranças, o que nos remete ao filme A viagem de Chihiro, de Hayao Miyazaki.

Rosanita confessa ter pedido o laço que tinha com o rio. Quando menina ia ao rio Meia Ponte com os tios e amigos tomar banho, pescar e fazer piqueniques. Hoje, apenas passa por ele, quando deseja visitar seus velhos amigos em Senador Canedo , lamentando o que o rio é hoje, “aquilo ali me entristece, ver tamanha poluição, tamanha maldade e descaso das autoridades”.

 Poluição

O rio Meia Ponte faz parte da bacia hidrográfica do rio Paraná, nasce em Itauçu (Serra dos Brandões) percorre 12.180 KM² até chegar a sua foz, no rio Paranaíba em Cachoeira Dourada, banhando 37 municípios do estado de Goiás, entre eles Goiânia. É considerado um rio que tem alto nível de contaminação, principalmente na região metropolitana.

A poluição no rio Meia Ponte acontece por meio da deterioração e desmatamento nas nascentes (parte superior), da contaminação pelo esgoto e lixo doméstico na região metropolitana (parte central), devido à ausência de saneamento básico em muitas regiões. A outra maneira é através da exploração na irrigação de grandes lavouras e projetos agropecuários, isso acontece na parte sul, aonde o rio se direciona a foz.

O professor de Geografia no IESA-UFG, Maximiliano Bayer, é argentino e mora em Goiânia há quatro anos. Ele afirma que a poluição no perímetro urbano é a que mais compromete a qualidade da água. Goiânia, apesar de ser referência, como metrópole no Centro Oeste, tem uma infra-estrutura muito longe do ideal, 1/3 da população não tem acesso a rede de esgoto, o que leva, consequentemente, à contaminação do Meia Ponte.

Essa é uma realidade nacional, pois 95% das cidades brasileiras têm problemas com o tratamento de esgoto e água. “São consequências comuns para canais fluviais que atravessam grandes cidades” reitera Maximiliano.

Fonte: ecologico.wordpress.com

Prejuízos

A sociedade tem se deparado com as consequências do abuso dos recursos naturais. A degradação ambiental, que se tornou mais visível, a partir dos anos 90, através do trabalho de organizações, como a Agência Nacional de Águas, que proporcionam a pesquisa e divulgação das questões ambientais.

Em Goiânia, os malefícios que a poluição das águas do Meia Ponte provoca são inúmeros e não atingem apenas os ribeirinhos. Pois esse rio é considerado o principal no abastecimento da cidade.  “Me afeta emocionalmente, psicologicamente,  é uma coisa que dá água, dá lazer, dá vida pro povo, e aquilo ser desmerecido dessa maneira”, é o que diz Rosanita.

 Além de inundações e alagamentos existe o dano causado à saúde da população, muitos elementos que se encontram na água são tóxicos, contaminando a água e os animais aquáticos, que serão ingeridos, o que possibilita o desenvolvimento de algumas doenças.

Outro problema é a perda do valor de lazer e sociabilização, que o rio proporciona. “O rio Meia Ponte era referência para o lazer do goiano, a gente tomava banho, pescava, fazia piquenique, um pôr de sol tão bonito, foi lá que meu tio começou a namorar minha tia, lá que começava os namoros” afirma Rosanita.

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