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Responsabilidade na hora de comprar roupas

Preocupação com produtos sustentáveis e de longa duração

Lorena Lara

 

Em meio à rapidez da vida contemporânea, o slow fashion surge como um novo comportamento no consumo de moda. O termo, que em inglês refere-se a algo como “moda vagarosa”, trata da fabricação e da compra de produtos de longa duração, de forma sustentável e responsável. É um novo hábito que surge entre criadores e consumidores de moda, em oposição ao fast fashion das grandes lojas de departamentos, e tem ganhado cada vez mais espaço e atenção das lojas e das passarelas.

O fast fashion surgiu nos anos 90 e dominou as lojas com preços baixos, estilo contemporâneo e pouca qualidade, estabelecendo uma efemeridade que jogava ao lixo coleções inteiras a cada troca de estações. Já o slow fashion surgiu em 2007, cunhado pela pesquisadora Kate Fletcher, que o conceituou como “um movimento de moda sustentável”. Fletcher diz que trata-se de escolha, informação e diversidade cultural, e que o movimento suporta as necessidades psicológicas humanas de formar identidade e comunicar.

A cultura do fast fashion pode ser explicada pelo filósofo Gilles Lipovetsky como o fruto de uma “estratégia da obsolescência”, que fez surgir projetos de curta duração e com poucas mudanças estilísticas, mas que geram “objetos de desejo” capazes de suprir carências do homem contemporâneo. Hoje, no entanto, observa-se na moda uma maior valorização do que é consumido. Os produtos estão cada vez mais incorporando para si valores intangíveis e passando a construir relações emocionais com os consumidores.

E o número de adeptos ao slow fashion tem crescido. A estudante Carmem Curti, 20, é uma delas. Carmem conta que na hora de comprar roupas, pensa em peças atemporais, e que para ela o hábito do slow fashion “é além do que se desprender do material e ser mais livre, mas também não poluir, fazer sua parte para sustentar uma ideologia na qual você acredita”. No Brasil, algumas grifes já dão seus passos nesse sentido. Marcas como Maria Bonita, Martha Medeiros e Helen Rödel apresentam peças atemporais, nadando conta a corrente do efêmero e oferecendo produtos feitos para durar muito mais que seis meses.

Alguns exemplos de práticas deste movimento incluem desde a preferência por produtos artesanais e o apoio a pequenos negócios locais, até a doação e reforma de peças de vestuário e escolha por estilos que transcendam as tendências das passarelas. Investe-se mais e por mais tempo nos trabalhadores do ramo, empresas constroem relações mútuas de benefícios, os prazos passam a ser maiores e as roupas duram muito mais. Na falta de tempo dos dias atuais, o slow fashion nada na corrente contrária à da velocidade

Fonte : Facomb

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