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Mais uma amarra

Um estuprador chamado Estado

Por lei deputados tentam violentar o direito das mulheres

Por Jordana Barbosa

 

Às vezes parece que não é suficiente a violência do dia a dia. As noticias macabras estampadas nos jornais e publicizadas pela televisão não levam ninguém a nenhum tipo de reflexão, mas sim o contrario, instala o pânico, ainda que contido, na população. Um medo crônico de as crianças serem abusadas, dos homens serem assassinados, dos senhores serem agredidos, das mulheres serem estupradas. A Terra se tornou um palco do terror.

Além das “instituições” que propagam condutas violentas – como o excesso de poder, o machismo, o fundamentalismo – agora nossos governantes tentam impor o horror através da lei. Não é um novo golpe militar ou outro regime político repressor – não que este não seja; é a ditadura contra a mulher. Essa lei, que pode ser chamada de molestação governamental é o Estatuto do Nascituro.

Uma das maiores bizarrices, atrocidades, violência e abuso contra as mulheres. Já não bastasse a culpabilização rotineira da vítima de estupro, mais essa! O Estatuto do Nascituro garante uma “bolsa estupro”, isso mesmo, uma bolsa para quem for estuprada e tiver um filho a partir desse CRIME cometido contra a mulher e não por ela. E ainda, manterá o bom homem estuprador perto da vitima e da criança, garantindo assim um exemplo de pai que toda criança deve ter.

Só existe uma pergunta: De onde esse inteligentíssimo parlamentar tirou a ideia de que uma mulher que foi estuprada quer algum tipo de contato com seu estuprador?

Senhores Elimar Máximo Damasceno e Osmânio Pereira, quem os senhores pensam que são para propor uma coisa dessas? Viraram Deus? Ou talvez os proprietários da vida dessas mulheres agredidas? E se fosse com suas filhas, com suas esposas? E se os senhores fossem mulheres estupradas? Parem de achar que os que os senhores pensam é mais importante que a vida, a dignidade e o bem-estar de outras pessoas. Deputados, os senhores não tem o direito de decidir por ninguém a não ser por vocês mesmos.

Nós mulheres não somos objetos a serem manejados por leis ou qualquer outra coisa. Temos nossa própria vida, somos donas dos nossos corpos, pagamos nossas contas. O que esperamos de vocês, senhores governantes, é respeito a nós, é segurança, a garantia do nosso direito de ir e vir livremente sem medo, emprego digno, salários iguais ao dos homens, filhos desejados ou não filhos. Lutamos por um mundo melhor, construímos esse mundo mais preocupadas com ele do que vocês aparentam estar. E é por isso que nós, mulheres, não desistimos com o feminismo e com a liberdade.

Fonte : Facomb

Categorias : Opinião

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