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Economia solidária em foco

Incubadora Social da UFG é um projeto de extensão que visa auxiliar a criação, a orga­nização e o funcionamento de cooperativas populares


Por Nathália Barros

 

Nas cooperativas de catadores de lixos, o lucro é dividido igualmente entre todos os cooperados e um dos fundamentos é que não haja patrão. A Incubadora Social da Universidade Federal de Goiás (UFG) auxilia e ajuda as questões que envolvem as cooperativas. Um dos aspectos abordados é a Economia Solidária, que é baseada na autogestão, e onde o desenvolvimento sustentável gera renda e inclusão social. Fernando Bartholo, coordenador da Incubadora Social, nos contou um pouco mais sobre a atuação desse projeto da UFG nas cooperativas.

 

 

J.J.: As Incubadoras Sociais visam atender a chamada Economia Solidária. Dentro desse contexto, que grupos podem ser beneficiados pelas Incubadoras Sociais?

Fernando: Diferente das incubadoras de empresas, que tem outra metodologia de trabalho, o foco de uma Incubadora Social é a organização de pessoas que estão em estado de vulnerabilidade social. Geralmente, essas pessoas estão fora do mercado de trabalho e não conseguem emprego por vários motivos, seja por idade ou por escolaridade. O público de uma Incubadora Social pode ser formado por moradores de rua, regressos do sistema prisional e, no nosso caso, por catadores de materiais recicláveis.

 

J.J.: Quantas cooperativas são beneficiadas pela Incubadora Social da UFG?

Fernando: Hoje estamos trabalhando com oito cooperativas formalizadas. Mas existem alguns grupos ainda informais, com os quais estamos fazendo os primeiros contatos.

 

J.J.: O que as pessoas visam quando desenvolvem uma cooperativa?

Fernando: As pessoas que se organizam em cooperativas tem a finalidade de gerar trabalho e renda. O foco é a chamada sobrevivência. Estamos falando de pessoas que tem o sonho de conseguir tirar um salário mínimo no final de cada mês através do seu trabalho.

 

J.J.: Como funciona o trabalho da Incubadora Social da UFG?

Fernando: Somos um conjunto de pessoas – entre técnicos, estudantes, estagiários, bolsistas e professores – que desenvolvem ações para a criação, organização e o funcionamento dessas cooperativas. Nós temos grupos para trabalhos e ações específicas, são eles: autogestão, são eles: contabilidade, economia e comunicação.

 

J.J.: Como a autogestão é ensinada aos cooperados?

Fernando: Uma cooperativa para ser uma cooperativa de verdade precisa praticar a autogestão. O grupo, formado por estudante de diversas áreas aqui da Universidade, atuam diretamente nesse processo. Há uma oficina de prática de autogestão, onde se ensina a fazer uma reunião, a respeitar a palavra de cada um, a realizar votações para tomar decisões. Além disso, vamos intermediando uma série de conflitos existentes dentro desses grupos.

 

J.J.: Além de orientar a autogestão, que outras ações a Incubadora Social desenvolve?

Fernando: Atualmente, nós temos uma ação em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, que prevê a alfabetização e também criação de bibliotecas nas cooperativas.

 

J.J.: Por fim, por que o trabalho da Incubadora é importante para as cooperativas?

Fernando: Os catadores de materiais recicláveis é um grupo muito complexo. Tem todo tipo de problema que se possa imaginar dentro desse grupo. Pelas suas experiências de vida, são pessoas competitivas e individualistas, que passaram a vida muitos anos nas ruas ou nos lixões, catando esses materiais para a sobrevivência. Isso estimulou durante muitos anos essa competição entre eles, de chegar primeiro e pegar o melhor material. Quando as pessoas vêm para dentro de uma cooperativa, isso fica muito arraigado dentro deles. Por isso é importante um trabalho de orientação, para que eles possam compreender a diferença do trabalho na forma individual e competitiva do trabalho coletivo e compartilhado.

 

 

Fonte : Facomb

Categorias : Entrevista

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