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Um país de todos?

O discurso de ódio de Silas Malafaia na entrevista com a Gabi não é o de uma minoria, mas da maioria dos brasileiros cujos preconceitos velados começam a ganhar asas com a internet

 

Por José Abrão

Todo mundo ficou sabendo da repercussão da entrevista que Marília Gabriela fez com Silas Malafaia, líder da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Chocados com seu discurso de ódio, muita gente foi às redes sociais, que ficaram em rebuliço, como o deputado Jean Wyllys, que comentava em tempo real a entrevista em sua página pessoal no Facebook.

Porém, o que muita gente não sabe é que Malafaia não virou um dos pastores mais ricos do Brasil à toa: seu discurso de ódio tem respaldo em milhões de brasileiros conservadores. Culturalmente, o brasileiro adora falar que somos um povo liberal, misturado e devasso, propaganda enganosa que inclusive atrai vários gringos para o turismo sexual.

O que é uma hipocrisia sem limite. O livro A Cabeça do Brasileiro, de Alberto Carlos Almeida, é uma pesquisa feita à fundo no modo de pensar do brasileiro e revela uma gente racista, homofóbica, fatalista e fundamentalista, muito longe da imagem vendida de um povo amável e de bem com a vida.

Não é necessário fazer uma pesquisa acadêmica para descobrir isso. Basta ler os comentários dos principais conglomerados de notícias da internet, como G1, R7 e Uol. O blog Deus me perdoe, mas... até reúne os comentários mais terríveis para mostrar o quão intolerante é o povo brasileiro.

Somos como Os Cegos do Castelo, que afastam os olhos de toda essa realidade espinhenta. Esse ódio sempre existiu, a internet só está aí para mostrar a feiura dessa ferida aberta que a maior parte das pessoas quer ignorar ou pior: culpar.

Culpar porque já ouvi por aí que é tudo culpa do governo, culpa dos evangélicos, dos pobres e assim por diante. Os preconceitos guiam até mesmo isso. A culpa é da ignorância. Esse ódio não vem só das classes de menos renda, mas principalmente da classe dominante e conservadora.

Em sites como G1, não é raro os comentários contra nordestinos, sobre matar usuários de crack (chamados “carinhosamente” de cracudos) além de coisas como ai, que saudade da Ditadura ou ai, que saudade do Esquadrão da Morte.

Discursos religiosos e direitistas exacerbados ofuscam a visão de todo o país e não de uma ou de outra classe social. Isso só vai mudar com a luta de poucos para impor a tolerância e o respeito. Quanto tempo isso vai levar? Difícil prever, ainda mais sabendo que os brasileiros de hoje pensam da mesma forma que os de 500 anos atrás.

Fonte : Facomb

Categorias : Opinião

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