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Expansão Urbana x Qualidade de Vida

Por Luiza Guimarães

O mundo não para de crescer. Para abrigar mais habitantes, a “expansão urbana” é cada vez mais frequente, gerando um espalhamento desgovernado na ocupação das cidades. Este crescimento normalmente é feito nas “periferias”, longe dos grandes centros. O novo local ocupado demanda gastos com infraestrutura (esgoto, água, luz, transporte), que cada vez deslocados para mais longe, encarecem os custos, e nem sempre melhoram a qualidade de vida. A professora de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal de Goiás, Drª Erika Cristine Kneib, explica os problemas e soluções da expanção urbana, e como este crescimento pode vir acompanhado da qualidade de vida.


Quais os danos causados pela expansão urbana, no que diz respeito a qualidade de vida das pessoas?

Erika Cristine: A expansão urbana, também denominada espraiamento urbano, significa espalhar a ocupação da cidade. Isso significa que as pessoas passam a morar ou trabalhar mais longe, e isso demanda prover infraestrutura relacionada para que essas pessoas tenham suas necessidades atendidas, como água, energia, esgotamento sanitário e transporte. Porém, essa infraestrutura, que necessita ser levada cada vez mais longe, normalmente onera muito os cofres públicos, o que significa que recursos que poderiam ser utilizados de forma mais eficiente serão alocados nessas áreas; ou que tais áreas ficarão sem a infraestrutura necessária.

É possível o crescimento sem expansão?

EC: A cidade pode crescer e desenvolver-se com qualidade, sem espalhar-se tanto espacialmente. Diretrizes contemporâneas preconizam a cidade compacta, ou seja densidades adequadas para o melhor aproveitamento possível dessa infraestrutura, que venha a racionalizar os investimentos públicos, beneficiando um maior número de pessoas.

De que forma as “cidades compactas” melhoram a qualidade de vida da população?

EC: A cidade compacta contém áreas com diversidade de atividades, os denominados subcentros, para proporcionar uma densidade, vitalidade e variedade adequada do espaço. A racionalização e melhor aproveitamento da infraestrutura, evita longos e dispendiosos deslocamentos nas cidades. Nas cidades compactas, formadas a partir de núcleos secundários fortes e diversos, ou subcentros, potencializa-se que as pessoas morem, trabalhem e desenvolvam suas atividades cotidianas em áreas próximas, o que potencializa, por exemplo, que o modo a pé e bicicleta sejam utilizados, já que as distâncias a percorrer seriam mais curtas, reduzindo-se a necessidade do uso do veículo motorizado individual. E como os congestionamentos e demais externalidades negativas associadas ao veículo motorizado individual são os grandes problemas da cidade contemporânea, evitar sua utilização seria de grande valia. Essa apropriação dos espaços das cidades pelas pessoas, e não pelos veículos, tem sido a grande solução para os problemas de mobilidade urbana e degradação das cidades.

Já existe alguma lei que vise melhorar a qualidade de vida e controlar a expansão urbana em Goiânia?

EC: As diretrizes para crescimento de Goiânia estão expressas no seu Plano Diretor, a Lei 171/2007. Esta lei preconiza a cidade compacta, baseada no adensamentos dos denominados corredores estruturadores, com priorização do pedestre, do ciclista e do usuários do transporte coletivo, para viabilizar os deslocamentos. Porém, nos 05 anos de vigência do plano, várias áreas da cidade foram consolidadas e adensadas, e a infraestrutura associada – saneamento ambiental, drenagem, abastecimento de água e transporte – não conseguiu acompanhar o crescimento, gerando sérios problemas de infraestrutura. Em suma, diretrizes existem, porém não foram implantadas.

Temos um grande problema com mobilidade pública em Goiânia. Como este problema pode ser resolvido?

EC: Com relação à mobilidade urbana existem projetos do BRT (Bus Rapid Transit) no eixo norte-sul; o VLT (veículo rápido sobre trilhos) para o Eixo Anhanguera; e o projeto dos corredores preferenciais para ônibus, a serem implantados em 102 km de vias na cidade. A partir disso, conclui-se que projetos existem, mas de nada adianta se não forem implementados e articulados com medidas para potencializar os deslocamentos a pé e por bicicleta. Ou seja, os projetos atuais devem ser implantados em conjunto com outras medidas e funcionar articulados, para proporcionar deslocamentos na cidade, com qualidade. Só assim, o crescimento da cidade pode ser transformado em desenvolvimento, com qualidade, e melhorar a vida as pessoas que aqui vivem.

 

 

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