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"Cansei de ser gay"

Projeto de Decreto Legislativo do deputado João Campos propõe a chamada "cura gay"e gera polêmicas

Vinícius Braga

“Cansei de ser gay, doutor. Por favor, torna-me heterossexual.” É possível viver
uma situação assim? Para o deputado João Campos (PSDB-GO), sim. Tramita
na Câmara dos Deputados o Projeto de Decreto Legislativo 234/11, que busca
reverter dispositivos da Resolução 1/99 do Conselho Federal de Psicologia
(CFP) e assim possibilitar o tratamento para “curar” a homossexualidade.

Como já se pode imaginar, as audiências de discussão, promovidas pela
Comissão de Seguridade Social e Família, são sempre polêmicas e evidenciam
a divergência de opiniões em relação ao assunto.

De um lado aqueles que defendem a intenção do presidente da Frente
Parlamentar Evangélica de “converter” homossexuais, dentre os quais
destacam-se o deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP), o pastor Silas
Malafaia e a psicóloga Marisa Lobo.

“Índio nasce índio, não tem como mudar; negro nasce negro não tem como
mudar; mas quem nasce homossexual pode mudar. Até a palavra homossexual
deveria ser abolida do dicionário, já que se nasce homem ou mulher”, afirmou o
deputado Feliciano durante a última audiência para discutir o projeto, realizada
no dia 27 de novembro do ano passado. Nesta mesma ocasião, Silas Malafaia,
que também é psicólogo, exaltou-se ao defender seu posicionamento e teve de
sair do Congresso escoltado devido a ameaças de ativistas.

Oposição

Do lado oposto, aqueles que condenam a "cura" por meio de tratamento.
O deputado federal e ativista gay, Jean Wyllys (PSOL-RJ), afirma que “o
argumento de que a homossexualidade pode ser ‘curada’ é tão absurdo como
seria dizer que a heterossexualidade pode ser ‘curada’ e é usado sem qualquer
tipo de embasamento teórico ou científico e sempre por fanáticos religiosos que
tem com o objetivo confundir a população com suas charlatanices”.

Opinião similar tem o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays,
Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABLGBT), Toni Reis, e a representante do
Conselho Federal de Psicologia (CFP) Ana Paula Uziel. Para ela, o sofrimento
dos homossexuais é provocado pelo preconceito: “O homossexualismo não
pode ser considerado doença por isso não faz sentido se falar em tratamento,
muito menos em cura”.

Quais as intenções do deputado João Campos ao propor tal projeto? É um
pensamento medieval que não deveria tomar essa dimensão a ponto de ser
discutido como projeto de decreto legislativo. O parlamentar ainda trata a
homossexualidade como “homossexualismo”, termo usado para associar a
orientação sexual a uma doença e que não está mais em uso. Por meio de
lutas do movimento LGBT, no dia 17 de maio de 1990 a Organização Mundial
de Saúde (OMS) o retirou da lista internacional de doenças, o que significa que
não é uma opção do indivíduo e sim uma orientação sexual.

A proposta incentiva a discriminação de uma população que, historicamente,
vem lutando contra o preconceito e almeja direitos iguais. Ignora a diversidade
humana e reproduz a heterossexualidade como a única possibilidade de
orientação afetivo-sexual. Uma iniciativa que fere a dignidade, a igualdade e a
liberdade de milhares de cidadãos brasileiros.

Fonte : Facomb

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