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"Cultura não é um crime"

Cultura Remix

Como as novas mídias tem contribuído para uma nova relação entre recepção e produção de conteúdo

Por Lílian Arruda

 

Século XXI, anos 2000. Muitas previsões e ficções científicas foram feitas para tentar imaginar como estaria o mundo nessa nova etapa. Hoje, o “futuro” virou contemporâneo e podemos dizer que nosso estilo de vida mudou, nossos sistemas econômicos evoluíram e nossa comunicação está diferente.


As redes digitais se portam como uma grande malha de neurônios, onde cada usuário representa um foco criativo de produção. Profissionais de Tecnologia da Informação já categorizam a nova etapa de armazenamento de conteúdo que vivemos hoje como "nuvem", onde é possível ter acesso à toda gama necessária de informação que encontra-se "suspensa" na rede. Essas possibilidades trazem à tona a diferenciação entre o conceito de criatividade e inovação.


Defensor do poder criativo da sociedade moderna, o pensador russo Lev Manovich afirma em seu livro "The Language of New Media" que diversas formas de estilo da vida cultural – música, moda, design, arte, aplicações web, mídia criada pelos usuários, comida – estão cheias de remixagens, fusões, colagens e “mash-ups”.

É o que o professor do Departamento de Artes Visuais da Universidade da Califórnia chama de “cultura remix” que vivemos nos dias de hoje. Toda a nossa bagagem cultural alimenta constantemente o nosso potencial criativo e inovador. "Tornou-se possível não só mixar diferentes conteúdos numa mesma obra -o que é entendido pelo senso comum como a maneira que se produz um remix-, mas também mixar conteúdos em diferentes mídias e, mais importante do que isso, utilizá-los ao mesmo tempo com técnicas que previamente pertenciam à especificidade física de cada mídia", afirma o autor.


Existiriam então criações originais? O pesquisador Kirby Ferguson editou um documentário, onde explica que toda criação é uma mistura de referências, seja na ciência, música, arquitetura ou cinema. Nomeado “everything is a remix”, a web-série dividida em quatro episódios mostra como estamos em um estágio de evolução onde não existe mais criação em si, tudo é baseado em referências anteriores. A criatividade moderna baseia-se na arte de inovar.


Basicamente, a ideia defendida por esses pensadores e por milhares de internautas que a todo momento interagem, criam e se apropriam de materiais disponíveis na rede é de que o conhecimento e as produções são de domínio público.

A produção de conteúdo, ou remixagem do mesmo por parte dos internatas, já é uma realidade ao se pensar nos jovens conectados. Veja o exemplo do coletivo cultural goiano 2cool4school.


Ainda caminhamos para um novo patamar de produções e de direitos autorais, uma nova forma de democracia digital, de opinião e de produção. Mais do que nunca somos parte ativa dessa transformação, ora como espectadores, ora como produtores. Aonde toda essa revolução midiática e de informação vai chegar? A evolução sempre traz novas perguntas, já as respostas, dependem de como vamos nos posicionar e construir esse futuro. E que venham as remixagens do próximos capítulos.

Fonte : FACOMB

Categorias : Tecnologia Mídia

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